Mais do que eleger um presidente da República, a sociedade brasileira tem diante de si no próximo dia 30 a opção entre continuar o desmonte do estado democrático de direito e a busca de recuperar um projeto de nação soberana e comprometida com o bem-estar de seu povo. O desmonte de muito que foi estabelecido na Constituição de 1988 foi rápido e ligeiro. Recuperar o sentido de convivência pacífica entre quem pensa diferente é tarefa que vai exigir liderança e capacidade de diálogo.
Liderança para recuperar junto à sociedade brasileira o sentido ético de dotar todos os que por aqui vivem do básico para uma vida digna. Direito à alimentação, à habilitação, ao trabalho, à saúde, à educação, dentre outros, è um mínimo que uma grande parcela do povo brasileiro já experimentou e que traz resultados econômicos e sociais.
Liderança para uma vez mais colocar o Brasil na condição de país soberano e parceiro atento para com a paz no mundo. Parceiro na construção de novas bases para o progresso econômico que leve em conta os desafios das crises sistêmicas do clima, da extinção de espécies e da contaminação de seres viventes.
Liderança para dar voz e vez às diversas formas de saber que existem no país e que muito podem contribuir para com o desenvolvimento humano no Brasil. Conhecimento científico construído em nossas instituições de ensino e pesquisa; conhecimento milenar herdado de nossos povos das águas e das florestas; conhecimento derivado de quem para cá veio escravizado e que muito contribuiu para a construção da sociedade plural e diversa que precisamos aprender a valorizar.
Liderança para entender as oportunidades e desafios de um mundo pós-pandêmico cujo novo normal está longe do simples retorno aos já críticos tempos de quando a Covid-19 entre nós chegou. Críticos tempos de desigualdades sociais e instabilidade econômica provocadas pela adesão acrítica aos pressupostos do mercado enquanto altar maior a guiar a vida do país.
Exercícios de liderança que estão longe de serem fáceis e fruto de passos de mágica. Nada garantido diante da complexidade da sociedade brasileira que reflete estruturas constituídas ao longo de uma história de exclusões da maioria e de benesses para uma minoria.
Ainda assim, é melhor correr o risco das incertezas inerentes à complexidade da formação socioeconômica brasileira a ter a garantia do continuado pandemônio que assola o Brasil. Sob a tutela de mandatário declaradamente misógino, racista e belicoso, dentre outras desqualificações, aflorou em parcela da população brasileira um sentimento que nada tem a ver com uma sociedade civilizada.
Buscar a construção de pontes entre ideias de sociedade tão distantes como as que se desenham na propaganda eleitoral e nos debate entre candidatos é tarefa que compete a todos que querem futuro melhor para filhos, netos e bisnetos.
Tarefa que começa pela escolha de quem vai ocupar a presidência nos próximos quatro anos. E nunca a escolha entre civilização e barbárie esteve tão clara. Civilização a ser reconstruída; barbárie a ser barrada antes que se aprofunde e transforme o Brasil em terra arrasada.