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Diplomacia

A quem interessa alinhamento automático em relações internacionais?

A história mostra que esse caminho está longe de atender os interesses da soberania nacional e de um protagonismo internacional do Brasil mais à altura de sua possível dimensão geopolítica e econômica

Publicado em 04 de Maio de 2023 às 00:10

Públicado em 

04 mai 2023 às 00:10
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

A ideia de que um país da dimensão econômica e geopolítica como o Brasil deve praticar alinhamento automático ao que interessa à principal potência do Ocidente – os Estados Unidos da América (EUA) – sempre foi e continua sendo um equívoco. Os principais avanços estruturais no processo de crescimento do país ocorreram em momentos em que sua política externa primou por defender seus interesses ainda que sob críticas explícitas ou veladas por parte de Tio Sam.
Foi assim com Getúlio Vargas quando das negociações sobre qual lado apoiar na II Guerra Mundial. A moeda de troca a esse apoio foi a implantação de uma siderúrgica de grande porte no Brasil – a Companhia Siderúrgica Nacional. Projeto entendido como fundamental para a industrialização brasileira que dependia de financiamento e transferência de tecnologia de países desenvolvidos. Apoios conseguidos junto aos EUA como contrapartida da adesão brasileira aos esforços dos Aliados contra o Eixo na guerra.
Foi assim com Juscelino Kubitschek quando da operacionalização de seu programa de industrialização de bens de consumo duráveis na década de 1950. Em segmentos como o da indústria automobilística os interesses estadunidenses eram que o Brasil continuasse importador de autopeças e de veículos acabados. O projeto só avançou com a pareceria de empresas europeias que forneceram tecnologia para que a cadeia produtiva automobilística implantasse no Brasil seus principais elos.
Foi assim com Ernesto Geisel na operacionalização do II Plano Nacional de Desenvolvimento que buscava aprofundar o processo de substituição de importação e diversificação das exportações brasileiras. Uma vez mais, na defesa de seus interesses empresariais os EUA buscaram criar obstáculos diretos e indiretos via Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional.
Muitos projetos só avançaram – com destaque para a energia nuclear – graças às bem sucedidas parcerias de financiamentos e transferências de tecnologia com europeus e japoneses.
Foi assim com Luiz Inácio Lula da Silva no período 2003-2011 e seus projetos de dar ao Brasil protagonismo internacional sem alinhamento automático aos interesses geopolíticos e econômicos dos EUA. Destaque para o apoio à internacionalização de empresas brasileiras intensivas em tecnologia e gestão – como a Embraer e as maiores empreiteiras. Para as bem sucedidas parcerias com outros países na construção de instituições alternativas de apoio ao desenvolvimento – como os Brics; bem como para as articulações para mediar conflitos como os envolvidos com a questão nuclear do Irã. É importante lembrar que todas ocorreram em desalinho com os interesses imediatos dos EUA.
Emirados Árabes
Lula e o presidente dos Emirados Árabes, Mohamed bin Zayed Al Nahyan Crédito: Abdulla Al Neyadi/UAE Presidential Court/Handout via REUTERS
Assim está sendo com a retomada do presidente Lula de uma política externa brasileira que favoreça a retomada de protagonismo do Brasil em questões geopolíticas, econômicas e em favor da paz mundial. Os diversos movimentos ao longo dos primeiros meses da terceira gestão de Lula à frente da presidência da república são divulgados como ousadias descabidas por parte da imprensa comercial que dá voz a forças conservadoras que sempre defenderam o alinhamento automático do país aos interesses do império estadunidense.
Melhor seria que acertos e equívocos desses movimentos debatidos sejam com profundidade nos mais diversos fóruns políticos, econômicos e sociais a partir de uma perspectiva que procure contemplar as mudanças em curso na geopolítica mundial. Mudanças complexas para as quais qualquer solução simplista é descabida.
Principalmente quando o simplismo indica o retorno da política externa aos tempos de alinhamento automático aos interesses dos EUA. A história mostra que esse caminho está longe de atender os interesses da soberania nacional e de um protagonismo internacional do Brasil mais à altura de sua possível dimensão geopolítica e econômica.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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