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Política

Frente Ampla: a recomposição dessa ideia ainda é possível?

A luz amarela da desaprovação nas pesquisas mostra que a agenda e o desempenho do governo e de Lula não conseguiram soldar uma Frente Ampla de composição e articulação de maiorias

Publicado em 23 de Março de 2024 às 00:30

Públicado em 

23 mar 2024 às 00:30
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Intuo que as eleições municipais de 2024 poderão ser um teste real da possibilidade de recomposição de uma Frente Ampla no Brasil. Apesar da retroalimentação da polarização nacional entre Lula Bolsonaro. Essa polarização vai ser generalizada nas eleições municipais deste ano? Penso que não. Ainda mais com o prenúncio de combustão de Jair Bolsonaro.
A Frente Ampla uniu-se para eleger Lula em 2022. Mas não está composta para governar. O governo Lula 3 não conseguiu costurar uma governabilidade pela via da Frente Ampla.
A luz amarela da desaprovação nas pesquisas mostra que a agenda e o desempenho do governo e de Lula não conseguiram soldar uma Frente Ampla de composição e articulação de maiorias.
Além do “aviso” das pesquisas recentes de avaliação, outras pesquisas – a nível nacional e internacional – têm sido constantes em apontar o cansaço de um crescente contingente de eleitores com a polarização.
Há um “centro político” que parece desejar um retorno ao diálogo ensaiado em 2022: liberais democratas, conservadores clássicos, e progressistas – a faixa/espectro que vai da centro-direita à centro-esquerda. Em 2026, essa faixa poderá ser significativa para configurar relevantes votos voláteis (“swing voters” no jargão da política americana) no Brasil. Podendo, talvez, representar até algo como 60% do eleitorado.
A força do nacional-conservadorismo à la Donald Trump e Viktor Orbán, na verdade mais reacionária do que propriamente conservadora, está em compasso de calcificação e grande relevância política. Mirando a destruição do liberalismo clássico (prevalência do mercado e da liberdade). Com a política do ressentimento e da captura das instituições do Estado.
Ao mesmo tempo, há um imperativo de realidade. Trata-se da necessidade da busca de consensos mínimos para viabilizar a governabilidade dos países – aqui e nos Estados Unidos, por exemplo. Assim, por força do princípio de resultante da física, o imperativo da governabilidade tende a impulsionar progressistas e liberais democratas para a busca do caminho do diálogo e da criação de pontes no plano dos valores. Por exemplo, o valor do patriotismo pode permitir essa ponte.
Superar a risca de giz da polarização impulsionada por máquinas de ódio nas redes sociais. Isso no plano extraeconômico dos valores. No plano econômico, há outro imperativo de realidade. Buscar a reconquista da sensação de bem-estar. Para superar a política do ressentimento e do ódio oriundo do sentimento de rejeição e exclusão. Portanto, superar a Teoria do Domínio dos Evangélicos neopenteconstais: a busca da destruição dos adversários.
Volto a 2024. No mundo real, as eleições de 2024 no Brasil, intuo, poderão ser um fermento para a superação da polarização. Através da manifestação, nas urnas, da força político-eleitoral crescente do “centro político”.
Eleição de 2018 foi marcada por polarização ideológica
Polarização ideológica Crédito: Amarildo/arquivo
O centro político rejeita a polarização e deseja sair do plano da política ideologizada do contraste e da rejeição do “outro”, para a política do emprego, da renda e da prosperidade. Ou seja, do bem-estar.
Essa sensação de bem-estar o Brasil experimentou nos vinte anos entre 1992 e 2012. Do governo Itamar Franco até a primeira metade do primeiro-mandato de Dilma Rousseff, passando pela era FHC e a era Lula. Anos de bem-estar e democracia.
2024 pode ser um laboratório para sair da encruzilhada da polarização. Pela força do princípio de resultante da física. E pela manifestação na urnas do cansaço do centro político.
“Wishful thinking”? A conferir.
*Pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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