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Política

Brasil: o retorno da sensação de bem-estar e do soft power

É um processo de ancoragem das expectativas políticas e econômicas. Com perspectivas de prosperidade e liberdade, as principais demandas da sociedade brasileira

Publicado em 29 de Julho de 2023 às 00:01

Públicado em 

29 jul 2023 às 00:01
Antônio Carlos Medeiros

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Antônio Carlos Medeiros Antônio Carlos Medeiros
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante lançamento do Programa de Ação na Segurança (PAS), no Palácio do Planalto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante lançamento do Programa de Ação na Segurança (PAS), no Palácio do Planalto. Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
As nuvens políticas brasileiras estão em mutação. Como um ponto de inflexão. Trata-se do ajuste da sintonia entre a política externa e a política interna. A conquista da sinergia entre a interna e a externa é pré-requisito para recolocar o país nos trilhos. Depois de muito ruído e ensaio-erro no primeiro semestre do governo Lula 3.
Na política interna, já é evidente um início de retorno da sensação de bem-estar. A política econômica mostra resultados. A política social também. Na econômica, os resultados mostram queda do câmbio; revisão da previsão do PIB de 2023 para 2,5%; queda da inflação; e elevação da nota de crédito do Brasil pela agência Fitch. Na social, a reestruturação do Bolsa Família e o início do Desenrola Brasil, para renegociar dívidas e limpar o nome de milhares de brasileiros, já surtem efeitos evidentes.
Tudo converge para a sensação de bem-estar. Com um horizonte de sustentabilidade. Isso porque os ajustes finos na articulação política do governo apontam na direção da governabilidade e da formação de uma Frente Ampla de governo, em sintonia com o Congresso.
É um processo de ancoragem das expectativas políticas e econômicas. Com perspectivas de prosperidade e liberdade, as principais demandas da sociedade brasileira.
Na política externa, também depois de muitos ruídos e idas e vindas, há uma opção pelo exercício do soft power do Brasil. Recentemente, o presidente Lula exercitou a opção pelo soft power em diálogo com o presidente francês, Emmanuel Macron. Trata-se do poder das ideias, da persuasão e da capacidade de negociação na arena global.
Mirar o multilateralismo e o equilíbrio de forças no novo concerto das nações. Nesse contexto, o soft power do Brasil será resultante não só de ideias. Será, também, resultante da capacidade de persuasão de Lula e da diplomacia brasileira.
Neste momento, isso significa trabalhar para a redemocratização da Venezuela e, ao mesmo tempo, para a retirada das sanções sobre ela. Isso foi anunciado. Essa negociação aproximaria os Estados Unidos, o presidente Biden e o ocidente do Brasil. Significa, também, exercer o soft power do Brasil, no âmbito dos Brics, para o equilíbrio diplomático entre a China e os EUA. E entre a Rússia e a Ucrânia. Esse enfoque foi iniciado.
Parênteses. No caso da relação China-EUA, a distensão passa por entender o “recado” simbólico que o presidente Xi Jinping passou ao receber Henry Kissinger com status de herói e chefe de Estado. Kissinger tem dito que o governo de Joe Biden permite que a política doméstica americana acirre as relações com a China, numa linha de mentalidade de “Guerra Fria”. E que uma escalada de hostilidades pode levar à catástrofe.
Voltando à diplomacia brasileira: o caminho de uma ação multilateral. A ideia força da paz precisa estar conjugada com a atenção aos interesses estratégicos do Brasil e das Nações envolvidas. E é aqui que o Brasil pode-se valer da sua condição de potência climática.
Os Estados Unidos, a China, a Russia, a Índia e o Ocidente enxergam o Brasil assim: uma potência climática. O que nos remete outra vez à necessidade de sinergia entre as políticas interna e externa.
Ancoradas as expectativas políticas e econômicas no país, a sinergia será impulsionada se o novo Plano de Transição Ecológica, liderado pelo ministro Haddad, ganhar tração.
Trata-se, segundo ele, de “uma poderosa agenda socioambiental (...) que vai capacitar o Brasil para uma nova fase de crescimento e diminuição da pobreza”. Ou seja, a Agenda Verde, de sustentabilidade em sentido amplo: ambiental, social, econômico, tecnológico e político.
Tudo somado, a mutação das nuvens políticas gera um efeito relevante de conjuntura. Mas é a agenda de sustentabilidade que poderá gerar um efeito estrutural, no estilo “longue durée”: um movimento de placas tectônicas.

Antônio Carlos Medeiros

Antônio Carlos Medeiros Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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