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Angelo Passos

Queda do PIB capixaba assusta, mas há perspectivas de melhora

Alguns fatores, como a safra de café (embora menor do que a do ano passado), fortalecerão a economia local no segundo semestre

Publicado em 20 de Junho de 2019 às 17:11

Públicado em 

20 jun 2019 às 17:11
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos Angelo Passos
Crédito: Amarildo

Mantenhamos calmos. Queda de 1,3% no PIB estadual em apenas um trimestre, como constatada no Espírito Santo, é dose forte, mas não nocauteia. A economia local pode se levantar, após rastejar nos três primeiros meses do ano. Não é mera torcida emocional. Há perspectivas de que isso aconteça.

Tiremos o olho do retrovisor. O PIB do nosso Estado cresceu 2,4% em 2018, e esperava-se que 2019 começasse com alegria econômica, em função do carregamento estatístico. Naquele clima, um estudo do Bradesco, divulgado em dezembro do ano passado, assinalava: “O Espírito Santo registrará expansão acima da média nacional”, na época estimada em torno de 3%. Imagina a economia capixaba crescer mais do que isso! Seria uma festa. Vale lembrar que o desenho deste cenário embutiu a expectativa de uma boa reforma da Previdência, aprovada no primeiro semestre. Começou aí o esvaziamento de possibilidades.

A situação mais grave não é a expectativa perdida. É outra. Chama-se desaceleração. Há um pequeno atenuante na queda de 1,3% do PIB estadual no primeiro trimestre. A comparação com o quarto trimestre do ano anterior pode conter imprecisões, devido à variação de fatores que atuam na economia nesses dois períodos. O mais preocupante é a redução continuada. Trata-se da terceira queda consecutiva do PIB trimestral. É recessão técnica. A sociedade precisa muito da reversão desse quadro para reduzir o desemprego.

O Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR), apurado pelo Banco Central, também mostra-se para baixo no Espírito Santo. Recuou 1,21% em abril, em relação a março, com dois agravantes: é a segunda maior queda entre os estados, e a terceira seguida no território capixaba. Em março, a redução foi de 0,36%; em fevereiro, de 0,94%.

Importantes passos da economia capixaba são conduzidos em poucos ramos, movidos por companhias gigantes e empresas satélites. A tragédia em Brumadinho impactou o complexo de mineração. As produções de celulose e de petróleo diminuíram. São segmentos exportadores, sensíveis ao arrefecimento do comércio global, ferido por rusgas (EUA x China) e incertezas geopolíticas. Essas mesmas indústrias terão dias melhores.

Outros fatores, incluindo a safra de café (embora menor do que a do ano passado), fortalecerão a economia local no segundo semestre. Ainda é possível crescer acima da média nacional, embora esse marco não entusiasme.

Angelo Passos

Angelo Passos Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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