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Angelo Passos

Café conilon do ES terá maior ganho no acordo com Europa

A exportação de café a partir do Espírito Santo soma 2 milhões de sacas neste ano, até maio. Desse total, apenas 6,4% são de café solúvel. Para a Europa quase nada foi vendido

Publicado em 01 de Julho de 2019 às 00:19

Públicado em 

01 jul 2019 às 00:19
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Sacas de café. Crédito: Pixabay
O café conilon, que responde por 35% PIB agrícola do Espírito Santo, tem potencial para ser o maior beneficiário do bilionário acordo entre Mercosul e União Europeia para formar uma área de livre comércio.
Hoje tarifado em 9%, o café solúvel consta do primeiro grupo dos produtos que terão imposto zerado para entrar no bloco dos 28 países europeus. “Isso é fantástico”, comemora o presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória, Jorge Luiz Nicchio. “Falou em café solúvel, falou em conilon, que responde por 90% da composição desse café”, explica.
A exportação de café a partir do Espírito Santo soma 2 milhões de sacas, neste ano, até maio. Desse total, apenas 127 mil sacas, ou 6,4%, são de café solúvel. Para a Europa quase nada foi vendido. O maior volume, 88,5 mil sacas, seguiu para a Indonésia. Para os Estados Unidos, 33,2 mil sacas.
“As perspectivas são muito boas em termos de ampliação de mercado. No futuro, pode inclusive abrir janela para investimentos”, avalia Sérgio Tristão, presidente da Realcafé, única fábrica de solúvel do Espírito Santo. A capacidade de produção gira em torno de dez mil toneladas por ano.
Em dez anos, 90% dos produtos exportados pelo Brasil entrarão no bloco europeu sem pagar tarifa. Dá tempo de o Espírito Santo articular sua economia para aproveitar muito.
Investimentos
O desembarque do café solúvel sul-americano na Europa, sem pagar imposto, pode consolidar a implantação de fábricas desse produto no Espírito Santo. Aqui nasce 72% da produção brasileira de conilon, a principal matéria-prima.
Projetos anunciados
A taxação do solúvel em 2003 era 3,5% para volume acima de 15 mil toneladas. Depois, subiu para 9%. Agora, o acordo com a União Europeia dá competitividade
Sérgio Tristão, presidente da Realcafé Solúvel
A Cia Cacique de Café Solúvel anunciou investimento de US$ 60 milhões na construção de uma unidade de produção no município de Linhares. Já a Olam Internacional, uma multinacional de Singapura, projeta investir US$ 130 milhões para erguer uma fábrica de café instantâneo no Norte capixaba – em Colatina ou em Linhares.
Motivação
A construção das fábricas de solúvel ganha motivação especial com o acordão entre Mercosul e europeus, e prenuncia avanço das exportações capixabas. Assim, a economia estadual ganha em três vieses: com mais empregos (nas novas indústrias e na atividade exportadora); com incremento de encomendas a pequenas empresas fornecedoras; e na arrecadação tributária.
Desdobramentos
Já o aumento da demanda por conilon, puxada pelo solúvel, tende a melhorar o preço do produto e, por certo, incentivará o plantio. Dessa forma, os efeitos do gigantesco tratado de comércio internacional chegarão ao bolso dos produtores capixabas, grandes, médios e pequenos. Ainda bem!
Importância
A valorização do conilon é muito importante para o Espírito Santo. Esse café é produzido por 80 mil famílias em mais de 40 mil propriedades rurais situadas em 63 municípios. Daí resultam cerca de 300 mil empregos diretos, que sustentam o comércio em várias partes do interior.
Laticínios
Nenhuma outra expectativa no campo capixaba é tão boa quanto a do conilon, em função do mega acordo com a União Europeia. Nos momentos decisivos da barganha, os gringos arrancaram concessões do Mercosul. Uma delas, reza que a entrada de laticínios europeus no nosso mercado deixa de ser tarifada, respeitando cotas. Mesmo assim, vem concorrência forte. Produtores locais precisarão ser cada vez mais competitivos.
Outros produtos
Já etanol, carnes bovinas e aves sul-americanas só entrarão sem imposto na Europa se não ultrapassarem cotas. Nossos produtores acham que demos mole na negociação. Que a abertura devia ser maior.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

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