A economia está apática e o baixo crescimento vai ficando menor sem a definição da forma mais agressiva do ajuste fiscal, a reforma da Previdência.
Desde as eleições, no ano passado, havia otimismo de expansão robusta do PIB em 2019, em função da retomada da confiança dos investidores. A reforma da Previdência não resolverá todos os problemas da economia, mas tornou-se imperativa para evitar uma nova recessão. Agora, a reforma se arrasta e já se fala em pibinho neste ano, o terceiro seguido, com o país empobrecendo e o desemprego aumentando.
Chegamos em maio com sentimento preocupante. O primeiro semestre já foi perdido em termos de reforma. O grande crescimento esperado, virou ilusão. Foram necessários 62 dias para a aprovação da admissibilidade da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, desde que o governo enviou o texto ao Parlamento.
Neste momento está começando nova etapa de peregrinação da reforma. Pelo regimento interno da Câmara, são necessárias dez sessões de debates no plenário, com pelo menos 51 deputados presentes, para apresentação de propostas – ampliando mudança feitas na CCJ, por pressão do chamado Centrão. Se tudo der certo, a previsão é terminar a bateria de sessões em junho.
E não se sabe quando nem o formato de reforma que resultará do crivo no Congresso – o que é democrático, convenhamos. O regime republicano funciona com debates e embates. Pena que muitos parlamentares não estejam entendendo a gravidade da crise fiscal, que deteriora a economia e causa sofrimento social. E o governo mostra gritante incompetência para lidar com o Parlamento, onde Bolsonaro esteve durante 28 anos, e deveria conhecer bem.
Estima-se que a votação no plenário da Câmara pode ocorrer em julho, se não for adiada, de modo acintoso, pelo recesso parlamentar. Depois, a reforma seguirá para o Senado, onde mergulhará em rito similar ao cumprido pelos deputados. Não há previsão para o desfecho.
Essa incerteza já repercute no setor privado como sinal de inibição de investimentos também no segundo semestre. A conta vai para os mais pobres da sociedade. O Brasil começou 2019 com 12 milhões de desempregados e terminou o primeiro trimestre com 13,4 milhões, dos quais mais de 90% pessoas das classes C, D e E, segundo pesquisas. Haja desigualdade.