Dezembro está fértil em acontecimentos políticos significativos, sem contar aqueles diretamente associados à pandemia. Na terça feira, acordei com a notícia da prisão de Crivella, prefeito do Rio. Não gosto daquela pessoa, que incluo na turma ruim da política brasileira que mistura ações de governo, falcatruas gordas e negócios religiosos. Ele tinha recebido endosso do presidente da República na eleição para prefeito, mas perdeu fragorosamente. Perderam, para ser mais exato.
Também fiquei satisfeito em saber que a Procuradoria Geral da República pediu ao STF que anule a decisão monocrática do seu mais novo ministro. Demonstrando claramente o que veio fazer na Corte, em nome de quem o indicou e o aprovou para um cargo vitalício, ele tratou de reduzir as penalidades da Lei da Ficha Limpa. Com isso, virou uma espécie de bucha de canhão e, como tal, deverá levar um corretivo dos colegas, para tomar tenência, como se diz.
A eleição de prefeito de oposição em Macapá, por sua vez, deve ter deixado mais uma marca profunda no espírito de jogador aloprado do presidente. Durante a campanha, ele declarou apoio ao então candidato favorito, irmão do presidente do Senado, com quem estava em pleno conchavo político. O apagão de energia elétrica no Amapá deixou nu o padrão de desgoverno e irritou profundamente os eleitores. Os Alcolumbre foram pro vinagre.
A coisa também ficou muito ruim pro Presidente lá no Congresso, a ponto de ele declarar que não mais pretende influir na escolha dos dirigentes das duas casas. Na Câmara, sob a batuta de Rodrigo Maia, político hábil que se viu instado a medir forças, a oposição se armou e adotou a independência e autonomia do Poder Legislativo como mote eleitoral, um lema rico em corporativismo agregador. É provável que o PT queira fazer bonito somando votos contra o candidato, às voltas com a justiça, do presidente.
Também deve estar aumentando bastante o desassossego do presidente ao ver o pessoal da justiça e da polícia fazendo andar processos de investigação e denúncia de gente da sua família. Nos últimos dias, para engrossar o caldo, entrou na mira oficial algo muito delicado, dotado de poder explosivo: os relatórios oferecidos por gente da Agência Brasileira de Informações para municiar os advogados de defesa no processo das rachadinhas de um dos seus filhos zero à esquerda.
O fato é que, por essas e muitas outras que vêm vindo por aí, vou entrar em 2021 com otimismo na alma, bem diferente do que senti no começo de 2020, quando tudo indicava que teria que encarar 8 anos seguidos de prepotência e crimes diversos. Minha impressão é a de que o governo Bolsonaro começou a acabar, de vez.