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Alvaro Abreu

MEC virou campo de batalha com ideólogos se digladiando como loucos

Em vez de um gestor competente e comprometido com a causa da educação, foi nomeado ao ministério um professor visivelmente despreparado

Publicado em 04 de Abril de 2019 às 21:43

Públicado em 

04 abr 2019 às 21:43
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Charge do Amarildo, publicada em A GAZETA no dia 1º de abril de 2019 Crédito: Amarildo
Segunda-feira assisti a entrevista do professor Mozart Ramos, no programa “Roda Viva”, da TV Cultura. Ele é um dos dirigentes da Fundação Ayrton Senna, criada para atuar de forma inovadora em favor da educação plena e integral de crianças e adolescentes pelo país a fora. Mozart foi secretário de Educação de Pernambuco e reitor da UFPE. Eu o conheço de vista e acompanho sua atuação pela imprensa. Fiquei animado com a sua possível nomeação para dirigir o Ministério da Educação, onde trabalhei por três anos, no início dos anos de 1970, ao lado de professores das universidades federais de Minas, Paraná, Paraíba, Santa Catarina e Bahia.
O corpo técnico do antigo Departamento de Assuntos Universitários era bem precário, mas seu diretor era um engenheiro paraibano arretado. Lynaldo Cavalcanti era conhecido por sua capacidade de trabalho, sua visão de futuro e seu compromisso permanente com a geração de resultados expressivos. Para ele, estar à frente de um órgão público era uma oportunidade para produzir fatos relevantes e transformadores.
Arrojado e intuitivo, ele se valia de três poderes mágicos: o de pautar questões estratégicas e bem delimitadas; o de convocar pessoas físicas e jurídicas capazes de contribuir para o equacionamento de tópicos específicos, delegando-lhes atribuições e correspondente autoridade; e o de conectar expectativas e interesses aderentes ao que precisasse ser feito.
Dava gosto de ver o pessoal trabalhando com afinco e determinação, fazendo as coisas acontecerem praticamente do nada. A mim, ainda um mestrando em Engenharia de Produção, me coube criar uma metodologia para distribuir recursos entre as universidades federais e coordenar a elaboração do primeiro Plano Nacional de Pós-graduação.
Hoje, em vez de um gestor competente e comprometido com a causa da educação à frente do ministério, foi nomeado um professor visivelmente despreparado para o exercício do cargo. O MEC virou um campo de batalha, onde grupos ideológicos, religiosos e até militares se digladiam feito loucos, diante de todos nós.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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