Tenha fome. Tenha muita vontade. Eu gosto muito de recitar Adélia Prado (escritora mineira): "não quero faca, não quero queijo. Eu quero fome". É muita oportunidade e as empresas estão contratando coração. As empresas querem proatividade, determinação, querem pessoas que vão além do combinado, que buscam conhecimento além da sala de aula, pessoas que têm vontade de fazer... É isso que eu chamo de coração. As escolas não estão formando o profissional que o mercado quer, o profissional não está chegando pronto, mas, se você tem coração, as empresas vão te querer. Querem o profissional com fome. Outra coisa, aí vale para qualquer um, tem muita informação de qualidade na internet, muitos cursos online a custo muito baixo. Você faz um curso bacana, hoje, com R$ 70. O que não existe mais é esse negócio de ex-aluno. Agora você é um aluno recorrente, sempre aprendendo. É o que chamo de 'coração de estagiário'. Importante frisar que temos graves problemas sociais no Brasil e isso é complicado demais em todos os contextos que você imaginar. Nós dois somos privilegiados, é fácil falar em ter fome no sentido de ter vontade. Mas é difícil você querer que o indivíduo acorde cedo, com vontade, se 55% da população brasileira sofre com algum tipo de insegurança alimentar. Você consegue produzir uma boa reportagem, às 15h, se você não almoçou e tomou café da manhã? Muitas vezes não temos essa sensibilidade porque vivemos em uma bolha, mas 55% da nossa população têm algum nível de insegurança alimentar. Isso é muito grave e limitante.