Os municípios brasileiros têm grandes desafios na área da saúde, principalmente garantir o funcionamento das estruturas de urgência e emergência, as chamadas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), serviços que podem atender grande parte das ocorrências médicas, como infarto, dores no peito e fraturas, entre outras.
Nos últimos anos, o desemprego no Brasil desencadeou o fenômeno da migração de pacientes de planos privados de saúde para o sistema público. Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que, nos últimos três anos, houve redução de 3,1 milhões de usuários de planos particulares. Os municípios precisam absorver essa demanda e oferecer um serviço de qualidade. E cada vez mais as cidades são impactadas pelos custos de manter esse sistema funcionando plenamente.
O aumento populacional é outro fator que contribui para o crescimento da demanda por serviços públicos de saúde. A Serra, por exemplo, ganhou mais de 110 mil moradores nos últimos nove anos, segundo o IBGE. Já existem no município duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), em Carapina e Serra-Sede, mas foi necessário construir mais uma. Neste mês será inaugurada a UPA de Castelândia, na região de Jacaraípe, que vai atender 25 mil pacientes por mês. Somadas as UPAs, vão utilizar mensalmente o serviço na Serra mais de 60 mil pessoas. Isso sem contar moradores de outros municípios da Grande Vitória que buscam atendimento médico na Serra.
No Brasil, as UPAs são equipamentos intermediários entre os postos de saúde e as emergências hospitalares. Têm estrutura básica com leitos de observação e aparelhos para a realização de exames radiológicos e laboratoriais em adultos e crianças. Oferecem aplicação de medicamentos e até atendimento odontológico. O funcionamento 24 horas, sete dias por semana, permite que o atendimento vá além do que as unidades básicas oferecem e, ao mesmo tempo, impacte menos os grandes hospitais.
O acolhimento é por meio de classificação por risco, ou seja, os pacientes com quadros mais graves têm prioridade. Daí a importância de as pessoas compreenderem que a função das UPAs é prestar atendimento para os casos mais urgentes. Pacientes que podem aguardar devem buscar as unidades básicas de saúde.
Os municípios brasileiros acolheram a ideia das UPAs, surgida em 2008. Essas estruturas são a forma mais rápida de acesso da população aos cuidados médicos urgentes e cumprem seu papel de salvar vidas. O fortalecimento desse sistema é essencial para garantir o direito constitucional à saúde.
*O autor é prefeito da Serra