Se o placar no TRF-4 não fosse três a zero contra Lula, haveria zebra rondando no campo da economia? Não exatamente. Seria açodado imaginar isso. O mercado de ações exultou com derrota do petista por unanimidade (a bolsa teve a maior subida desde 2016). Já o dólar despencou, mas são reações de momento. Não indicam que o horizonte será muito melhor no futuro, se a candidatura petista se tornar ficção.
Teoricamente, isso pode contribuir para arrefecer o acirramento eleitoral, desde que os atores envolvidos não se deixem seduzir pelo canto inconsequente de lideranças como a senadora Gleisi Hoffmann, que agora prega “radicalização de luta”, já que não foi necessário “matar gente” para condenação do seu guru. Fortalecer mobilização é uma coisa; incitar violência é inaceitável.
Nas telas dos computadores, todas as possibilidades de cenários a partir do histórico julgamento de Lula, qualquer que fosse o resultado, estavam precificadas por investidores, há muito tempo. Todos apostam no crescimento do Brasil – o que tem ocorrido até com presidente denunciado por corrupção.
A maioria das empresas financeiras (elas não costumam errar) projeta alta de 2,7% do PIB em 2018, segundo o Relatório Focus do Banco Central, divulgado na segunda-feira, 48 horas antes do julgamento do petista. Já o prognóstico do Banco Mundial aponta avanço de 2% neste ano, um pouco acima da estimativa de 1,9% do FMI.
Nem quem tem bola de cristal sabe hoje o nome do próximo mandatário da República, mas as instituições financeiras projetam impulso de 2,99% no PIB em 2019, diz o Relatório Focus. Para o Banco Mundial, a alta será de 2,3%.
O que o mercado está antecipando é, em boa parte, o chamado efeito estatístico, ou seja, o carregamento, ou carry over, que considera o crescimento levado de um ano para outro. No caso, de 2018 para 2019. É óbvio que tal perspectiva inclui a evolução da demanda doméstica e o aumento de investimentos - indicadores que dependem de políticas expansionistas. Isso precisa ser bem debatido na arena eleitoral. Candidatos devem mostrar propostas claras e factíveis. E explicar como tratarão o principal problema econômico do país: o fiscal.
*O autor é jornalista e economista