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Vitor Vogas

Casagrande sobre Sérgio Moro: "Nossas ideias estão na mesma direção"

Governador eleito conheceu futuro ministro em debate sobre segurança pública e presídios. Para ele, Bolsonaro precisa deixar Moro conduzir a área. "Aquele discurso de campanha não tem sustentação. Moro é duro, mas conhece o sistema"

Publicado em 12 de Dezembro de 2018 às 18:10

Públicado em 

12 dez 2018 às 18:10
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Casagrande participou em Brasília de reunião dos governadores eleitos com o futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro. Crédito: Divulgação/Instagram

Em reunião do Fórum de Governadores Eleitos na tarde desta quarta-feira, o governador eleito, Renato Casagrande (PSB), conheceu o futuro ministro de Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Saiu do encontro com uma impressão positiva e a sensação de que ambos estão falando a mesma língua sobre o que precisa ser feito nas áreas de combate ao crime, execução penal e gestão do sistema prisional – temas principais dessa reunião do Fórum.

"Nossas ideias estão na mesma direção. O que o Moro defendeu na reunião está muito no sentido do que eu tenho defendido", avalia Casagrande. 

O governador eleito se refere a propostas como a "racionalização das prisões" para reduzir a superlotação dos presídios (no lugar de uma política de "encarceramento em massa" proposta por Bolsonaro na campanha); a adoção de novas tecnologias para acelerar os processos de execução penal; a criação de um banco nacional de dados sobre crimes, armas e presídios; e mudanças no Código Penal para reduzir a progressão de pena em casos de crimes graves.

Segundo Casagrande, as propostas de campanha de Jair Bolsonaro (PSL) para essas áreas "não têm sustentação", e o presidente eleito precisa deixar que Moro conduza as políticas de segurança para que elas se tornem mais adequadas à realidade. 

"Bolsonaro já fez uma inflexão. O discurso dele já está menos duro. Aquele discurso de campanha não tem sustentação. O Moro com certeza contribui muito para essa inflexão, pela visão dele nessa área de segurança pública e sistema prisional. O Moro é duro, mas conhece o sistema, então ele sabe o que é possível e o que não é", opina Casagrande.

"Se o Bolsonaro deixar o Moro conduzir, isso pode organizar melhor o sistema e levar a uma posição de governo mais adequada, porque os Estados não suportam aquele discurso mais duro de encarceramento em qualquer situação", acrescenta o governador eleito. 

"SISTEMA NO LIMITE"

Segundo Casagrande, o sistema prisional capixaba agora "está no limite da desorganização". No momento, há um déficit de quase 9 mil vagas nos presídios. Essa situação, completa Casagrande, tem possibilitado que facções criminosas se instalem e operem de dentro das prisões capixabas. 

"Organizações criminosas estão operando e comandando o crime de dentro do sistema prisional. Não podemos perder o controle das prisões. E, para não perdermos o controle, precisamos qualificar as prisões e acelerar o sistema de execução penal", afirma Casagrande.

TECNOLOGIAS

Nessa linha de raciocínio, na reunião do Fórum de Governadores Eleitos, Casagrande defendeu, diante de Moro, a criação de um banco nacional de dados e indicadores padronizados sobre crimes, armas e sobre a situação dos presídios. A falta de dados padronizados é uma reclamação frequente de governadores.

"A palavra foi aberta a quem quisesse falar. Quase todos os governadores presentes falaram e, na minha oportunidade, abordei mais a questão da tecnologia. Destaquei a importância de uma padronização dos dados nacionais. O Moro tratou disso e eu também. Falei sobre a necessidade de criação de um banco de dados, de impressões digitais e informações sobre armas, por exemplo. É preciso que o Ministério da Justiça e Segurança Pública organize isso."

Casagrande ainda defendeu a adoção de tecnologias para acelerar o processo de execução penal e evitar que o governo do Estado tenha gastos desnecessários, por exemplo, com a transferência de presos para audiências. 

"Mesmo que o Estado tenha recursos para construir prisões, ele não conseguirá suportar o nível de encarceramento que temos e a baixa velocidade dos processos de execução penal. Num momento de tanta tecnologia disponível, temos que passar a realizar as audiências por um sistema de teleconferência, para a gente não ter que ficar transportando presos. Também fiz a defesa das tornozeleiras eletrônicas."

De acordo com o governador eleito, Moro concordou com sua fala em relação à ampliação do uso dessas tecnologias.

"PENAS INTELIGENTES"

Casagrande ainda reforçou a importância do projeto "Penas Inteligentes", desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e lançado na última segunda-feira (10) pelo ministro Dias Tofolli, presidente do STF e do CNJ, no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), em parceria com o governo estadual.

O presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Sérgio Gama, o presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, Dias Toffoli, e o governador Paulo Hartung em solenidade no TJES Crédito: TJES/Divulgação

O Espírito Santo é pioneiro na implantação do projeto. Este prevê que todos os processos de execução penal serão informatizados. "Isso elimina papel e dá agilidade aos processos", aplaude Casagrande. 

BOA IMPRESSÃO

Essa foi a primeira vez que Casagrande esteve com Sérgio Moro. "Ele me pareceu uma pessoa acessível, tranquilo para falar. Ele se colocou totalmente à disposição para trabalharmos juntos."

Além de Moro, participaram da reunião Dias Toffoli, o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, e o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão (PRTB).

PRÓXIMO ENCONTRO

A próxima reunião do Fórum dos Governadores Eleitos ocorrerá em fevereiro e tratará de questões econômicas e das relações federativas (entre a União e os Estados).

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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