A carência crônica em infraestrutura mantém o Brasil em uma situação incômoda, de completa incapacidade competitiva. Nessa letargia, projetos importantes engatinham, quando não param ou são abandonados, quase sempre dependentes dos cofres públicos. Só no Espírito Santo são atualmente 269 empreendimentos municipais e estaduais deixados de lado. Obras que equivalem a R$ 1,2 bilhão em investimentos, de acordo com manchete deste jornal no último domingo.
Fica cada vez mais claro que falta governança para promover mais agilidade na condução desses empreendimentos. É urgente que se proporcione mais segurança jurídica, com regras mais claras, que atraiam investimentos. Porque não há saída: a esperada modernização do país depende do capital privado. Sem o convencimento definitivo de que o Estado, sozinho, é incapaz de prover as necessidades concretas do país, continuaremos soterrados no atraso.
O economista Cláudio Frischtak, no “X da Questão” também de domingo, não poderia ter sido mais preciso: “O investimento em infraestrutura necessita ser uma política de Estado; uma política que reconheça as obrigações do Estado, no âmbito do planejamento e regulação, e suas limitações no plano do financiamento e da execução. E, inversamente, uma política voltada a mobilizar o potencial de contribuição do setor privado – sem subsídios ou artificialismos”.
O que precisamos para os próximos anos é de um surto coordenado de desenvolvimento, que não só pavimente essas condições estruturais imprescindíveis para o crescimento, mas que nessa trajetória seja também capaz de ocupar a população, proporcionando a queda do desemprego. Uma onda de prosperidade catapultada por investimentos privados, que apostem em um ambiente de negócios promissor. Confiança é sempre a palavra de ordem.
Infraestrutura não é só a base para os empreendimentos que asseguram o funcionamento pleno da economia. Com melhores estradas, modais de transporte diversificados, plena geração de energia e universalização do saneamento, sem falar em segurança, saúde e educação, ergue-se também a sustentabilidade social pela qual o país tanto anseia.