Publicado em 1 de agosto de 2018 às 21:18
Era madrugada do dia 11 de outubro de 1952 quando um estrondo ensurdecedor ocorreu na Capital do Espírito Santo. A terra tremeu. Em várias ruas de Vitória, moradores ocupavam as janelas, curiosos e apavorados com o que havia acontecido. Uma confusão se formou rapidamente por falta de informações.>
Posteriormente, verificou-se que tinha acontecido um incêndio violento que resultou em uma explosão em um depósito de combustíveis e inflamáveis do Departamento de Estradas e Rodagens (DER), que, na época, era situado no antigo armazém do SNC, em Caratoíra. No depósito estava armazenada incorretamente uma grande carga de dinamite.>
Após a gigante explosão foram tomadas as providências julgadas necessárias todos os veículos da "rádio patrulha", ambulância, viaturas da polícia e do Corpo de Bombeiros foram acionados para realizar a interdição total da área. Os moradores de Caratoíra precisaram evacuar o bairro por conta do risco de uma nova explosão.>
Imediatamente, a reportagem do jornal A Gazeta foi até o local e encontrou muitos curiosos querendo saber detalhes do que tinha acontecido. Portas destruídas e vidraças estilhaçadas pela violência do deslocamento do ar deixaram claro que dezenas de casas sofreram com o impacto da explosão; os tetos das residências desabaram não apenas na Volta de Caratoíra, mas em Vila Rubim e Ilha do Príncipe. O estrondo pode ser ouvido em Vila Velha. >
>
Segundo informações preliminares da Rádio Patrulha da época, havia um número elevado de feridos principalmente idosas e crianças. Muitas delas estavam em estado de choque. Um dos patrulheiros, que residia no bairro, teve sua casa parcialmente destruída com a queda de uma parede e soterramento de um irmão que, felizmente, sofreu apenas escoriações.>
Um funcionário da Rede Gazeta, o próprio gráfico que montou a folha da reportagem sobre o ocorrido na época, teve sua casa danificada. Ele teria perdido a maioria dos pertences. A esposa e a filha de Arnaldo da Vitória escaparam milagrosamente de um ferimento mais grave. >
Várias outras famílias também sofreram danos materiais e ficaram feridas. Até o momento em que a reportagem de A Gazeta ficou no local, o Corpo de Bombeiros ainda não tinha começado diretamente a extinção do incêndio pela dificuldade de água no bairro.>
Uma carga de dois mil quilos de dinamite teria gerado a grande explosão. O diretor-geral do DER da época, Luiz Serafim Derenzi, relatou ao jornal A Gazeta que foi acordado ainda naquela madrugada com a notícia e que estranhou a ocorrência. Ele declarou que no armazém em que estava o conteúdo inflamável não havia um depósito apropriado para a carga de dinamite. O estabelecimento que costumava abrigar o material ficava em Aribiri, em Vila Velha.>
O governador do Estado na época, Jones dos Santos Neves, teve conhecimento da ocorrência pelo vice-governador Cel. Athayde.>
UM MILHÃO DE CRUZEIROS>
O crédito de um milhão de cruzeiros foi cedido pelo governo do ES para atender os danos causados pelo desastre. Os prejuízos foram avaliados em dois milhões de cruzeiros.>
A Legião Brasileira de Assistência, órgão assistencial fundado em 28 de agosto de 1942 e extinto em janeiro de 1995, amparou as vítimas em consequência da explosão que foram alojadas no grupo escolar Maria Ericina.>
PREJUDICADOS COM A EXPLOSÃO>
Cerca de 34 pessoas ficaram feridas. Um médico humanitário, Américo de Oliveira, teve a iniciativa de uma subscrição popular para socorrer as vítimas. Outros donativos também foram doados por deputados da Grande Vitória.>
Moradores da Vila Rubim, no Centro de Vitória, pediram diretamente pelo intermédio da imprensa e pela visita imediata de engenheiros da prefeitura ou da Secretaria de Viação e Obras Públicas. Eles diziam que prédios estavam sem segurança e abalados com a explosão.>
PREFEITURA DE VITÓRIA>
Na época, a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) divulgou uma nota lamentando a ocorrência e o incêndio em Caratoíra e declarou que prestou imediata assistência às vítimas. "Todos os prejuízos verificados empregando nesse trabalho todo o seu pessoal de Obras e Assistência Social Municipal, parte da limpeza pública", diz parte da nota.>
O prefeito recebeu o seguinte telegrama do Senador Carlos Lindenberg: "Acabo de saber por leitura de jornais do grave acidente ocorrido no depósito do DER com numerosas vítimas. Lamento profundamente e ponho meus préstimos. Abraços Carlos Lindenberg".>
PARTICIPE!>
Você tem alguma curiosidade sobre o Espírito Santo? Envie para [email protected]>
Colaboração de Anelize Roriz Nunes | Cedoc da Rede Gazeta >
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta