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Homenagem

Campanha para levar Lula ao Nobel da Paz já é uma glória

A importância da homenagem é tão grande que, numa hora assim, não deve haver brasileiros lulistas e anti-Lula. Cessem as contendas, cessem as divergências

Publicado em 10 de Abril de 2018 às 16:46

Públicado em 

10 abr 2018 às 16:46

Colunista

O ex-presidente Lula Crédito: Rafael Ribeiro

Trataremos de três assuntos no artigo de hoje. O nome do ex-presidente Lula está sendo cotado para receber o Prêmio Nobel da Paz. O galardão é entregue todo ano, no dia 10 de dezembro, que é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. A candidatura de Lula está sendo proposta pelo argentino Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do prêmio em 1980. Vem recebendo apoio de figuras do cenário internacional.

O primeiro brasileiro cogitado para a premiação foi o arcebispo Dom Hélder Câmara. Houve uma grande pressão da ditadura brasileira então vigente para evitar a outorga do prêmio a alguém que denunciava os abusos contra os direitos humanos que estavam então sendo praticados em nosso país. Dom Hélder não foi indicado.

Agora, Lula é o segundo brasileiro a ter o nome colocado em pauta. Mesmo que Lula não seja contemplado com o mais importante prêmio concedido a lutadores pela paz, a simples lembrança do seu nome, com o aval de figuras exponenciais que lutam pela dignidade humana, pelo pacifismo e pelos mais altos valores da civilização – é uma glória insigne.

A importância da homenagem é tão grande que, numa hora como esta, não deve haver brasileiros lulistas e brasileiros anti-Lula. Cessem as contendas, cessem as divergências. Que todos nos sintamos homenageados na pessoa do brasileiro escolhido.

É providencial que a entrega do prêmio ocorra depois das eleições presidenciais em nosso país. O prêmio fica a salvo dos embates partidários.

O segundo assunto de hoje é manifestar desaprovação a humilhações a que Paulo Maluf está sendo submetido durante sua prisão, conforme tem sido divulgado pela imprensa.

Todo preso, sem exceção, tem direito a tratamento digno. Jamais, em toda a minha vida, escrevi qualquer texto a respeito de Maluf. Mas hoje, à face do desrespeito à dignidade de Paulo Salim Maluf, pessoa humana, não posso me calar.

Finalmente, quero censurar isto que podemos chamar de denuncismo. Uma pessoa é formalmente denunciada, de acordo com o Código de Processo Penal, ou seu nome é apontado no noticiário como autor de um crime.

Essa pessoa, sem que lhe seja assegurada defesa, é bombardeada com o estigma de criminoso, bandido, ladrão etc. Não importa se o dito cujo tem filhos ou parentes próximos que sofram a humilhação. Em nome de uma suposta e, às vezes, hipócrita defesa da ética, esmaga-se a ética.

Não se confundam alhos com bugalhos. É preciso estar vigilante para não ser arrastado pela confusão de conceitos, confusão que muitas vezes é proposital e maliciosa.

*O autor é juiz de Direito aposentado e escritor

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