Publicado em 12 de maio de 2024 às 16:08
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul afirmou na manhã deste domingo (12) que municípios do estado voltaram a registrar volumes significativos de chuva. Segundo o órgão, o quadro foi verificado no centro gaúcho, na região metropolitana de Porto Alegre e na Serra.>
Com a situação, o governo estadual e prefeituras alertam para a possibilidade de novas cheias e orientam a população a buscar ou permanecer em locais seguros.>
O estado convive com os impactos das enxurradas que deixaram um rastro de mortes e destruição nas últimas semanas. O cenário ganha contornos ainda mais dramáticos com a queda das temperaturas, que aumenta os desafios da população em abrigos.>
A Defesa Civil alertou neste domingo que o nível do lago Guaíba, que inundou Porto Alegre, pode voltar a ultrapassar os cinco metros. As fortes chuvas e a vazão de rios de outras regiões podem levar a um novo repique no lago.>
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O nível de água no Guaíba seguia em queda desde quinta-feira (9), mas voltou a subir neste sábado (11). Segundo monitoramento divulgado pelo governo gaúcho, o patamar estava em 4,65 metros às 13h deste domingo.>
O número é considerado alto. Quando o lago atinge 2,5 metros, é emitido um alerta. Quando chega a três metros, é registrada inundação.>
Porto Alegre vive a pior enchente de sua história. Ruas e avenidas ficaram alagadas, e o aeroporto Salgado Filho está fechado devido ao acúmulo de água na pista e em áreas internas. O Guaíba chegou a 5,33 metros neste início de mês.>
"O Guaíba voltou a apresentar elevação dos níveis, com expectativa de se elevar para valores acima dos 5 metros, conforme a chegada da vazão pelos rios contribuintes e a atuação dos ventos", afirmou a Defesa Civil neste domingo.>
"Em função dessa chuva volumosa, praticamente todos os grandes rios do estado apresentam tendência de elevação, com elevações rápidas em cotas de inundação nas bacias dos rios Caí e Taquari, e posteriormente no Jacuí, sendo que as cidades no delta das respectivas bacias ainda estão em cotas de alerta ou inundação", acrescentou o órgão.>
Em Lajeado (a cerca de 120 km de Porto Alegre), no Vale do Taquari, o prefeito Marcelo Caumo disse nesta manhã que o domingo de Dia das Mães será de "muito trabalho". Ele indicou que a projeção é de uma nova cheia na cidade.>
Lajeado é o município onde uma loja da rede Havan ficou tomada pela água. A imagem da cena ganhou ampla repercussão nos últimos dias.>
"O rio já ultrapassou a cota de 22 metros. Vamos ter mais uma grande cheia. A chuva se avolumou nas cabeceiras durante a noite e deve superar a cota de 28 metros", afirmou Caumo.>
Conforme a Prefeitura de Lajeado, as primeiras residências são atingidas quando o Taquari alcança o patamar de 19,8 metros. A orientação é para que a população fique em locais seguros.>
Também há alerta em outros municípios do Vale do Taquari. Em Muçum (a cerca de 150 km de Porto Alegre), o prefeito Mateus Trojan pediu nesta manhã que as pessoas em áreas de inundação se retirem de casa.>
"Já estamos nos aproximando da cota de inundação. Vamos chegar, certamente, a pelo menos 20 metros. A tendência é de que tenhamos elevação maior", disse.>
"Ainda não parou de chover em algumas regiões mais altas. Tem muita água para vir das nossas cabeceiras. As vazões das barragens apresentam elevação muito significativa.">
A região do Vale do Caí é outra em alerta. A Prefeitura de São Sebastião do Caí (a cerca de 60 km da capital) afirmou que o rio continua em elevação no município vizinho de Feliz e disse que o nível vai ultrapassar os 16 metros.>
A orientação local também é para que pessoas deixem suas casas. Segundo a prefeitura, o entulho levado pelas inundações para as ruas dificulta o acesso de barcos que realizam salvamentos.>
O governador Eduardo Leite (PSDB) fez um alerta nas redes sociais para o risco de novas inundações no estado com a elevação dos rios. Leite ressaltou que a situação ainda é de emergência.>
"Nos rios Gravataí e Sinos, continua o represamento das águas na confluência dos rios no delta do Jacuí com o Guaíba, com a manutenção dos níveis ainda elevados e retorno da elevação. No baixo rio Uruguai, já se observa uma estabilidade e declínio a partir de São Borja", afirmou a Defesa Civil.>
As novas chuvas deste fim de semana causaram temores de novos desastres. "Muita gente vê a chuva e está traumatizada. A gente nota o susto das pessoas. A gente sabe que quando chove acaba aumentando mais a água", disse à agência AFP Enio Posti, bombeiro de Porto Alegre.>
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