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Depoimento

Valeixo diz que nunca pediu formalmente exoneração da direção-geral da PF

Demitido em abril em publicação 'a pedido', ex-diretor-geral prestou depoimento em inquérito que apura se presidente Bolsonaro tentou interferir na corporação

Publicado em 11 de Maio de 2020 às 19:34

Redação de A Gazeta

Publicado em 

11 mai 2020 às 19:34
Então ministro da Justiça Sergio Moro, presidente Jair Bolsonaro e então chefe da Polícia Federal Maurício Valeixo
O então ministro da Justiça, Sergio Moro, presidente Jair Bolsonaro e o então chefe da Polícia Federal Maurício Valeixo em cerimônia realizada no ano passado Crédito: Marcos Corrêa/PR
O ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo afirmou em depoimento nesta segunda-feira (11) que nunca formalizou um pedido de exoneração do seu cargo, ao contrário do que registrava seu decreto de exoneração assinado pelo presidente Jair Bolsonaro. Em seu depoimento, obtido pelo jornal "O Globo", o ex-diretor relatou ter recebido um telefonema de Bolsonaro na véspera de sua demissão avisando-o que iria constar que a exoneração foi "a pedido" dele próprio.
Segundo o relato de Valeixo,  por meio de um telefonema, Bolsonaro lhe indagou "se concordava que sua exoneração fosse publicada como 'a pedido'".
O ex-diretor relatou que, na ocasião, concordou com a exoneração a pedido. Em seguida, afirma que o então ministro da Justiça Sergio Moro lhe disse que estava tentando obter um compromisso de que fosse indicado como seu substituto o delegado Disney Rosseti, seu número dois na PF, para que ele pudesse formalizar o pedido de exoneração, o que não chegou a ocorrer. "Nunca houve formalização do pedido de exoneração", afirmou Valeixo no depoimento.
A CNN Brasil também obteve o depoimento, que tem 11 páginas transcritas. Valeixo contou ainda que Bolsonaro disse que queria alguém no comando da PF com quem tivesse mais afinidade e que o presidente pressionou pela troca da chefia da superintendência no Rio, sem uma  razão técnica que justificasse a mudança, uma vez que o desempenho da superintendência era satisfatório.
O ex-diretor-geral da PF, no entanto, disse que, no entender dele, o presidente não solicitou informações sobre investigações específicas.

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