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Em São Paulo

Universidade expulsa acusado de apontar pênis na direção de alunas dormindo

Material teria sido comercializado em grupos do Telegram; inquérito está sob sigilo da Justiça

Publicado em 11 de Março de 2026 às 06:17

Agência FolhaPress

Publicado em 

11 mar 2026 às 06:17
A Uninove (Universidade Nove de Julho) expulsou um estudante acusado de filmar alunas enquanto elas dormiam na sala para descanso em um de seus campi, em São Paulo. Nas imagens, ele aparece expondo o pênis na direção delas. O material teria sido posteriormente vendido em grupos no Telegram.
O caso ocorreu no início do mês passado. A instituição abriu uma apuração após receber denúncias de vítimas cujas imagens teriam sido expostas. Ao fim da sindicância, houve o afastamento do suspeito, além do acionamento da Polícia Civil para seguir com as diligências.
Print mostra grupo de venda de imagens no Telegram
Print mostra grupo de venda de imagens no Telegram Crédito: Reprodução
O inquérito corre em segredo de Justiça, informou a corporação à reportagem.
Em nota, a universidade diz que ao tomar conhecimento dos fatos, ocorridos há mais de um mês, adotou imediatamente todas as medidas no âmbito institucional, bem como encaminhou o caso para apuração das autoridades.
"Reiteramos que a Universidade Nove de Julho repudia qualquer conduta que viole a dignidade, a privacidade e o respeito às pessoas e permanece à disposição para colaborar com o esclarecimento dos fatos", diz a instituição, uma das maiores do estado.
Segundo a denúncia, todo o material produzido pelo então estudante teria sido comercializado em grupos no Telegram. Numa das mensagens recolhidas, ele compartilhou um pacote de fotos com as hashtags #sleep (dormir, em inglês) e #dickflash (termo que significaria algo como "expor o pênis em local público").
Nas imagens, é possível ver uma aluna de costas, aparentemente adormecida, e o homem apontando seu pênis para ela. Na descrição do anúncio num grupo, ele oferecia acesso VIP às imagens caso fosse depositada certa quantia.
A história se espalhou rapidamente em grupos de WhatsApp da própria Uninove e de outras instituições de ensino superior em São Paulo. O rosto do autor dos vídeos também foi exposto.
Desde o ocorrido, estudantes dizem ter receio de utilizar o espaço para descanso na universidade.
No campo criminal, a conduta atribuída ao estudante pode se enquadrar em diferentes tipos previstos no Código Penal, a depender do que for confirmado pela investigação.
A gravação de imagens de cunho íntimo sem consentimento pode caracterizar o crime de registro não autorizado da intimidade sexual, com pena de detenção de seis meses a um ano e multa. Caso se comprove que o material foi posteriormente compartilhado ou comercializado em grupos na internet, o caso pode ainda ser enquadrado como divulgação de cena de nudez ou sexo sem consentimento, cuja pena prevista é de reclusão de um a cinco anos.
A exposição do pênis diante das estudantes também pode configurar ato obsceno ou, dependendo da interpretação das autoridades, importunação sexual, crime com pena de um a cinco anos de reclusão. A tipificação final dependerá da apuração policial e da análise do Ministério Público.

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