Publicado em 1 de março de 2021 às 16:42
- Atualizado há 5 anos
O processo aberto na esteira do vazamento da receita médica do infectologista David Uip, ex-coordenador do Centro de Contigência para o novo coronavírus no Estado de São Paulo, ainda não tem previsão para chegar ao fim. A celebração de um acordo com o farmacêutico suspeito de divulgar a prescrição, que poderia encerrar a ação, não está nos planos do médico, segundo informou a defesa nesta segunda-feira (1º). >
O advogado Luiz Flávio Borges D'Urso, que defende David Uip no caso, comunicou ao juízo e ao Ministério Público de São Paulo que não pretende aceitar qualquer proposta de conciliação na audiência preliminar marcada para a próxima semana, 'independente dos termos apresentados'.>
A justificativa é a de que o médico e a família dele foram alvo de 'incontáveis manifestações de ódio' e de ameaças após o vazamento da receita. Na época, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegou a sugerir que Uip escondia o uso do medicamento por 'questões políticas', já que 'pertence à equipe do governador de São Paulo'.>
"O Prof. David Uip suportou enorme sofrimento, quando foi alvo de incontáveis manifestações de ódio, tanto pessoalmente como pela internet, além de seus familiares, esposa, filhas e filhos, que passaram a ser alvo, inclusive, de ameaças, tudo por causa do crime praticado pelo acusado, quando "vazou", em grupos de WhatsApp, a receita da vítima, na qual esta se autoprescrevia o medicamento cloroquina para ser adquirido e eventualmente ministrado", informou a defesa.>
>
Com a recusa, o processo deve entrar na etapa de transação penal Nesta fase, o Ministério Público decide se apresenta ou não uma pena criminal.>
O inquérito para apurar o caso foi aberto em abril do ano passado e a Promotoria apontou que houve crime de violação do segredo profissional pelo gerente. O vazamento foi percebido quando passaram a circular, nas redes sociais, imagens da receita médica em que o infectologista, que estava com covid-19, prescreveu cloroquina a si próprio. A investigação indicou que o gerente da farmácia que vendeu o medicamento teria vazado a foto em grupo WhatsApp. Embora tenha deixado a coordenação do Centro de Contingenciamento de São Paulo, David Uip continua trabalhando no comitê do governo paulista.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta