Publicado em 12 de novembro de 2024 às 05:26
A Polícia Civil do Paraná indiciou, na quinta-feira (8), um técnico de enfermagem sob suspeita de estuprar pacientes em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Curitiba, no Paraná. Wesley da Silva Ferreira, 25, também é acusado de gravar os abusos.>
De acordo com o inquérito, o homem, que é portador de HIV, poderá responder pelos crimes de contágio de moléstia grave, além de estupro de vulnerável e registro não autorizado de intimidade sexual.>
Ferreira foi preso no dia 29 de outubro. À polícia, ele confessou ter abusado de cinco homens, e assumiu o risco ao abusar das vítimas mesmo sabendo do risco de contágio por HIV. O suspeito ainda não tem advogado.>
A Prefeitura de Curitiba, que administra a UPA, afirmou que o servidor foi demitido e que coopera integralmente com as investigações. Destacou, também, que o técnico foi admitido por processo seletivo em novembro de 2023 e atuava no plantão noturno. Ainda segundo a nota, não há registro de denúncias anteriores contra o servidor.>
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O técnico de enfermagem foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná na sexta-feira (8). Segundo a Promotoria, os abusos foram cometidos contra seis vítimas entre novembro de 2023 e outubro deste ano. A denúncia afirma ainda que o suspeito também produziu conteúdo pornográfico com uma criança de quatro anos.>
Até o momento, a Polícia Civil identificou quatro vítimas, sendo uma delas já falecida. Segundo a delegada Aline Manzatto, duas delas sofreram estupro de vulnerável, enquanto as outras foram fotografadas pelo investigado.>
"Outras três pessoas ainda não foram identificadas, mas as imagens foram encaminhadas ao Instituto de Identificação do Paraná para reconhecimento facial", disse a delegada.>
Ainda de acordo com Manzatto, o inquérito sobre o caso segue, apesar do indiciamento, para identificar outras possíveis vítimas e crimes. "Ainda existem diligências para serem feitas, como análise do celular", afirmou.>
Pelo Ministério Público, Ferreira foi denunciado ainda por produção de conteúdo pornográfico envolvendo criança, armazenamento de conteúdo pornográfico infantil, e lesão corporal de natureza grave pela transmissão de doença incurável.>
Segundo a Promotoria, há ainda o agravante de que os crimes foram cometidos em função do cargo que o técnico ocupava, já que era o profissional responsável pelos setores onde os abusos aconteceram, e das vítimas serem pessoas hospitalizadas.>
O caso começou a ser investigado depois que uma pessoa com a qual ele mantinha relacionamento encontrou gravações dos abusos armazenadas no celular do suspeito. O homem, então, denunciou o ex-companheiro à polícia.>
Em uma das imagens, o técnico de enfermagem vai até a cama de um paciente, sobe o lençol e começa a tocar nas partes íntimas da vítima, um homem que estava internado na UPA. A investigação apontou que, em alguns casos, as vítimas estavam sedadas e totalmente inconscientes.>
Os casos ocorreram na UPA no bairro Cidade Industrial de Curitiba. No entanto, em outras duas situações, o suspeito tirou foto dos pacientes nus no Hospital Santa Cruz, através de câmeras de segurança, segundo a polícia. Os investigadores apuram se o técnico também abusou de pacientes nessa instituição.>
O Hospital Santa Cruz informou que abriu uma sindicância interna para avaliar o caso e reforçou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.>
Segundo a polícia, o suspeito disse ter HIV e fazer tratamento para a doença desde 2019. Aos investigadores, afirmou ainda saber que a doença é transmissível.>
"Ele sabia que tinha sim a possibilidade de passar e não estava preocupado com isso. Ele cometeu o ato sem qualquer tipo de proteção", afirmou a delegada Aline Manzatto.>
Além da prisão, o técnico de enfermagem também foi alvo de buscas. Na residência do suspeito, policiais apreenderam medicamentos furtados de outros hospitais, entre eles, morfina, fentanil e quetamina.>
Segundo a Polícia Civil, Ferreira também foi indiciado por falsificação de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais e furto qualificado.>
O Coren (Conselho Regional de Enfermagem) do Paraná manifestou repúdio a qualquer forma de abuso cometido por profissionais no exercício da profissão e disse que já determinou apuração do caso pela Câmara de Ética da Entidade.>
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