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Investigação

Polícia Federal intima Bolsonaro para depor sobre trama golpista

Ex-presidente e seu ex-ajudante de ordens, coronel Marcelo Câmara, deverão esclarecer suposto envolvimento em organização criminosa para tentativa de golpe de Estado

Publicado em 19 de Fevereiro de 2024 às 14:01

Agência Estado

Publicado em 

19 fev 2024 às 14:01
BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) intimou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o coronel Marcelo Costa Câmara, ex-ajudante de ordens, a prestarem depoimento na próxima quinta-feira (22). Bolsonaro deverá esclarecer suposto envolvimento em organização criminosa para tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, no âmbito da investigação que deflagrou a Operação Tempus Veritatis na semana passada.
A reportagem confirmou a intimação com a defesa do ex-presidente e do coronel, que acrescentaram que devem pedir adiamento. O advogado Eduardo Kuntz, responsável pela defesa de Câmara, afirmou que a "ampla defesa" de seu cliente está "totalmente comprometida por falta de acesso aos elementos da investigação". Sem essas informações, Kuntz diz que a defesa está impedida de trabalhar e que o depoimento deveria ser adiado.
Ex-presidente Jair Bolsonaro após depoimento à Polícia Federal sobre supostas conversas com o senador Marcos do Val
Depoimento de Bolsonaro está marcado para quinta-feira (22) Crédito: Fotoarena/ Folhapress
Marcelo Câmara está preso deste o dia 8. Segundo informações da investigação, ele era o "responsável por um núcleo de inteligência não oficial do presidente da República, atuando na coleta de informações sensíveis e estratégicas para a tomada de decisão de Jair Bolsonaro".
Outros presos na operação foram o coronel Bernardo Romão Correa Neto, o major Rafael Martins de Oliveira e o ex-assessor especial para Assuntos Internacionais de Bolsonaro, Filipe Garcia Martins. Os quatro já passaram por audiência de custódia e seguem em prisão preventiva.
A operação mirou também aliados do ex-presidente, como os generais Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, além do almirante Almir Garnier Santos e ex-ministros do governo como Anderson Torres. Segundo a Polícia Federal, o entorno de Bolsonaro se dividia em diferentes núcleos com funções como desinformar a população, atacar o sistema eleitoral, pressionar militares e elaborar documentos jurídicos que atendessem aos interesses golpistas para manter o ex-presidente no poder.

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