Publicado em 11 de fevereiro de 2021 às 16:59
- Atualizado há 5 anos
Em seu ocaso, fulminada e questionada em várias frentes, a Lava Jato ainda dá sinal de vida e deflagra nesta quinta-feira (11), sua fase 80, batizada de Operação Pseudeia. É a primeira etapa desde que a força-tarefa foi enterrada como equipe isolada. >
Os agentes cumprem cinco mandados de busca e apreensão em São Paulo, sendo três na capital e dois em Pindamonhangaba, no interior paulista. A Justiça ainda autorizou o bloqueio de bens e valores na ordem de R$ 5,2 milhões - valor correspondente aos prejuízos identificados até aqui. O Estadão apurou que o alvo da ação é o empresário Cláudio Mente.>
A investigação é desdobramento da Operação Acarajé, 23ª etapa da Lava Jato ocorrida em 2016, que teve entre os alvos principais o publicitário João Santana. Na época, os procuradores acusaram pagamentos ilícitos no exterior para agentes públicos e marqueteiros políticos feitos pelo engenheiro polonês Zwi Skornicki, representante do Keppel Fels, estaleiro então contratado pela Petrobrás.>
Na operação desta quinta, as investigações buscam identificar outros beneficiários das transferências, diz a PF. Um deles seria justamente Cláudio Mentes. De acordo com a investigação, o empresário teria firmado um contrato de consultoria ideologicamente falso com o representante do estaleiro, por meio de uma empresa offshore constituída em paraíso fiscal e de uma conta no exterior, para receber pagamentos na ordem de um milhão de dólares no ano de 2013.>
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Detalhes do suposto esquema acabaram sendo revelados pelo próprio Zwi Skornicki em acordo de colaboração premiada firmado com o Ministério Público Federal. De acordo com a Polícia Federal, o delator admitiu que os pagamentos foram feitos para cobrir pedidos de propinas vindos do então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.>
Os relatos foram checados na reanálise de materiais apreendidos na Operação My Way, 9ª fase ostensiva da Lava Jato, que havia feito buscas contra o colaborador, e por informações enviadas por autoridades suíças. Segundo a Polícia Federal, os investigadores encontraram mensagens e dados de ligações telefônicas que comprovavam o relacionamento entre o empresário e o delator, os vínculos com Vaccari e tratativas para pagamentos de mais 600 mil dólares a Mente, no ano de 2014, além da conta no exterior do empresário.>
"Diligências posteriores confirmaram que o investigado ainda possuía outra conta no exterior e que, nos anos de 2014 e 2015, mesmo após a Operação Lava Jato já ter sido deflagrada, efetuou diversas transferências bancárias no exterior para, através de operações de dólar-cabo, encerrar as contas e internar irregularmente os valores recebidos à margem da lei", informou a PF.>
As buscas feitas na manhã de hoje buscam ainda esclarecer os motivos para outros depósitos nas contas de Cláudio Mentes e a razão para seu favorecimento a pedido do tesoureiro do PT, além de apurar a destinação dos valores internados irregularmente no Brasil com o uso de doleiros. Isso porque a suspeita é a de que o empresário tenha sido apenas um operador dos pagamentos.>
A investigação recebeu o nome de Operação Pseudeia em referência ao espírito da mentira na mitologia grega, em alusão ao sobrenome do empresário, Cláudio Mente, e ao possível emprego de expedientes falsos para justificar os recebimentos de valores no exterior, explica a Polícia Federal.>
O empresário pode responder por lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o sistema financeiro nacional.>
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