Publicado em 28 de outubro de 2024 às 14:50
- Atualizado há um ano
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A partir do próximo ano, 6 das 26 capitais brasileiras terão prefeitos autodeclarados negros. Todos são homens e pardos no registro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). O número é menor do que o da última eleição municipal, quando oito pessoas pardas assumiram cargos no Executivo municipal.>
No primeiro turno, foram eleitos Tião Bocalom (PL), em Rio Branco, Arthur Henrique (MDB), em Boa Vista, e João Henrique Caldas (PL), em Maceió.>
No segundo, Cícero Lucena (PP) venceu em João Pessoa, Sebastião Melo, em Porto Alegre, e David Almeida (Avante), em Manaus.>
Ao todo, 1.850 negros assumem prefeituras em 2025, 57 a mais do que no pleito passado. Desse total, 127 se autodeclararam pretos, e 1.723, pardos. Os dados consideram candidatos com situação válida, que não tiveram o resultado anulado sub judice.>
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Os prefeitos negros representam 33,5% de todos os eleitos para os Executivos municipais. A maior parcela é representada por brancos, 65,8% do total. Amarelos e indígenas respondem por 0,2% cada grupo.>
Os resultados finais não se aproximam da realidade racial brasileira. A população do país é composta por 55,5% de pessoas autodeclaradas pretas e pardas e 43,4%, brancas, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. Indígenas e amarelos representam, respectivamente, 0,6% e 0,4%.>
Segundo análise da Folha, os únicos estados em que a proporção de prefeitos negros se equipara ou supera a porcentagem de população negra são Amazonas (80,6% dos eleitos) e Acre (77,3%). No Amazonas, 73,7% dos residentes se autodeclaram pretos ou pardos, enquanto no Acre são 74,8%.>
Na outra ponta do ranking, o estado com maior diferença entre a proporção de negros eleitos e na população é o Rio de Janeiro, onde 57,8% da população é negra e apenas 11,5% dos prefeitos assim se declaram.>
A discrepância chama a atenção para a necessidade de uma representação política que priorize o pertencimento de grupos sistematicamente discriminados pelas estruturas políticas e econômicas da sociedade, diz Graziella Testa, professora na FGV (Fundação Getulio Vargas).>
"Mesmo que os membros desses grupos estejam em partidos políticos diversos, o ponto que se assume é que a forma como eles olham para o mundo, as perspectivas, são semelhantes. Seria interessante se tivéssemos um mínimo de espelhamento desses membros na sociedade na representação política", afirma.>
Na perspectiva de gênero, os dados ainda mostram que, de todos os eleitos, os homens negros representam 29,1% dos que conquistaram uma vaga, enquanto as mulheres negras são 4,4%. Em números absolutos, são 1.609 homens e 241 mulheres.>
A maioria dos prefeitos negros são de partidos do centro político, 49,3% dos eleitos. Direita e esquerda respondem, respectivamente, por 33,8% e 16,9%. >
Para a definição ideológica, a reportagem usa o GPS partidário, modelo estatístico criado pela Folha para medir a proximidade entre as legendas a partir de quatro variáveis coligações, votações na Câmara dos Deputados, trocas de legendas e composição de frentes parlamentares.>
Em relação às candidaturas, as eleições deste ano foram a segunda consecutiva com mais autodeclarados pretos e pardos do que brancos. Segundo dados do TSE, 188 mil pardos e 51,7 mil pretos pleitearam uma vaga na disputa eleitoral de 2024. Juntos, somaram 239,7 mil, praticamente metade (52,7%) de todas as inscrições.>
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