Publicado em 11 de fevereiro de 2021 às 18:41
- Atualizado há 5 anos
O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defendeu que uma nova rodada do auxílio emergencial, mesmo que em formato renovado, seja adotada dentro do teto de gastos e cobrou o governo, especialmente o ministro Paulo Guedes (Economia), para que seja apresentada uma proposta a respeito da assistência à população carente. >
"Mas urge que o ministro Guedes nos dê, com sensibilidade do governo, uma alternativa viável, dentro dos parâmetros da economia como ele pensa e como a sociedade deseja. A situação está ficando crítica na população e a gente tem que encontrar uma alternativa", afirmou Lira nesta quinta-feira (11).>
"Nada foi encaminhado praticamente.">
Com a retomada das atividades no Congresso, em fevereiro, cresceu a pressão para que seja aprovada uma medida de assistência social aos desempregados e trabalhadores informais em 2021, mesmo que em um modelo mais enxuto que o auxílio emergencial pago no ano passado.>
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Guedes estuda uma nova rodada, mas em valor menor -R$ 200, em vez dos R$ 600 por mês pagos em boa parte do ano passado, e por três meses. No Congresso, porém, há defensores da volta do benefício no valor original (R$ 600) ou reduzido (R$ 300).>
A equipe econômica quer também atrelar a retomada do auxílio a projetos que cortam despesas obrigatórias, como a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, que prevê, por exemplo, redução de jornada e salário de servidores públicos.>
Segundo Lira, o debate sobre o novo auxílio na Câmara não precisa esperar o avanço da PEC, que aguarda votação no Senado desde 2019.>
"O governo e o ministro Guedes têm de rapidamente encontrar uma alternativa de solução imediata do auxílio. Nós sabemos que as PECs do Senado, tanto a emergencial quanto a do pacto federativo, serão importantes para orçamentariamente manter todas as regras de teto", disse Lira.>
Apesar de reconhecer a necessidade de uma medida rápida para atender aos mais pobres, o presidente da Câmara voltou a afirmar que o programa não deve ficar fora do teto de gastos, regra constitucional que impede o crescimento das despesas acima da inflação.>
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reafirmou nesta quinta (11) que o governo federal estuda prorrogar o auxílio emergencial. A duração do pagamento seria de três a quatro meses, disse o presidente após cerimônia de entrega de títulos de posse a agricultores de Alcântara, no Maranhão, município que abriga o Centro de Lançamento de Alcântara, base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira.>
Bolsonaro voltou a destacar, porém, o caráter emergencial do benefício. "O nome é emergencial. Não pode ser eterno porque representará um endividamento muito grande para nosso país. E ninguém quer o Brasil quebrado.">
Ele também voltou a criticar medidas restritivas de circulação para conter a pandemia. "Tem que acabar com essa história de fecha tudo. Devemos cuidar dos mais idosos agora [e] o resto tem que trabalhar. Caso contrário, o Brasil pode perder crédito e a inflação vem", disse.>
A possibilidade de renovar o auxílio emergencial sem a compensação de corte de despesas públicas tem gerado instabilidade no mercado financeiro.>
"Nada fora do teto. Não há possibilidade de a princípio você fazer nenhum movimento que quebre as regras que nós mesmos criamos de legislação, a não ser com a pandemia, com uma segunda onda muito grave. Aí o governo teria esses mecanismos para 'startar' [começar]", declarou o presidente da Câmara.>
Na noite de quarta-feira (10), em entrevista ao programa Ponto a Ponto (BandNews), apresentado pela colunista da Folha, Mônica Bergamo, e pelo cientista político Antonio Lavareda, Lira já havia defendido uma nova rodada do auxílio.>
"R$ 200, R$ 300 por mês fazem muita diferença na vida daquela pessoa que está fora de qualquer cadastro único, à margem de todo o processo", afirmou.>
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), seguiu a mesma linha de Lira e afirmou que uma nova proposta de ajuda para a população é uma necessidade "para já".>
Pacheco voltou a falar que não considera positiva a criação de um novo imposto para bancar uma proposta de auxílio emergencial -ou um programa análogo para assistir à população vulnerabilizada por conta da pandemia do novo coronavírus.>
"O que nós precisamos para já, urgentemente, é do auxílio emergencial ou de um programa análogo que possa socorrer as pessoas, independente da criação de novo tributo", afirmou Pacheco antes da sessão desta quinta (11).>
"Eu acredito que nesse instante, como o auxílio é necessário imediatamente, uma criação de imposto seria inclusive ineficaz considerando o tempo que precisamos reagir. Então essa discussão de aumento de imposto com o sistema tributário da forma como está é uma discussão que não é boa para o país neste momento", afirmou.>
O presidente do Senado foi questionado por jornalistas se o Congresso poderia tomar a dianteira nas discussões do novo auxílio, alterando substancialmente uma eventual proposta do governo. Pacheco afirmou que prefere uma proposta de consenso e que vai avaliar oportunamente, se não houver acordo.>
"Eu prefiro considerar a hipótese de que nós estabeleceremos um consenso com o governo federal, com a equipe econômica para se estabelecer um auxílio que seja matemática e economicamente possível nesse momento do país e que possa socorrer essas pessoas", disse o presidente do Senado.>
"Numa eventualidade de não haver esse entendimento com o governo federal, nós vamos avaliar oportunamente", completou.>
Pacheco também voltou a afirmar que não podem estar condicionadas a proposta de uma nova rodada de auxílio emergencial com a aprovação no Congresso de medidas de ajuste fiscal. Ambas são "igualmente importantes", mas independentes, disse.>
"Eu continuo com a mesma percepção que são coisas independentes, porém igualmente importantes. As propostas de emenda à constituição estabelecem um protocolo fiscal, uma sinalização de responsabilidade fiscal no Brasil. É obviamente uma prioridade do Senado e deve ser também da Câmara dos Deputados", afirmou.>
"É uma realidade e não vamos fugir dela. A outra realidade que é realmente aflitiva é do anseio daquelas pessoas que estão vulnerabilizadas, extremamente necessitadas nesse momento, de ter um socorro do Estado. Eu acho que essa é uma sensibilidade que não tem só o Senado e a Câmara. O governo federal também mostrou ter", completou.>
Pacheco também disse que recebeu um telefonema do ministro da Economia, Paulo Guedes, e que ambos devem se encontrar novamente nesta quinta.>
O presidente do Congresso afirmou que as equipes devem trabalhar durante o feriado de Carnaval para avançar na elaboração de uma proposta de auxílio.>
O governo prepara uma proposta de auxílio que libera três parcelas de R$ 200, com foco nos trabalhadores informais não atendidos pelo Bolsa Família. A ideia é também estabelecer novas exigências para o recebimento do benefício.>
A assistência deve passar a ser chamada de BIP (Bônus de Inclusão Produtiva). Para receber o auxílio, a pessoa terá de participar de um curso para qualificação profissional.>
O plano também prevê que o benefício seja associado à Carteira Verde e Amarela, programa que deve ser relançado pelo governo para reduzir encargos trabalhistas e estimular a formalização de pessoas de baixa renda.>
No modelo em estudo, as empresas forneceriam um curso de qualificação ao contratarem beneficiários do programa.>
A equipe econômica quer condicionar esse gasto extra com o benefício ao corte de despesas em outras áreas do governo. Para isso, vai propor a inclusão de uma cláusula de calamidade pública na PEC (proposta de emenda à Constituição) do Pacto Federativo, que retira amarras do Orçamento e traz gatilhos de ajuste fiscal.>
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