Publicado em 10 de setembro de 2024 às 20:37
BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A nova ministra dos Direitos Humanos do governo Lula (PT), Macaé Evaristo (PT), é ré em uma ação civil pública que aponta superfaturamento na aquisição de kits escolares na rede municipal de ensino de Belo Horizonte.>
O processo trata da época em que a ministra foi secretária de Educação na cidade, na gestão do ex-prefeito Marcio Lacerda (então no PSB). Ela ocupou o cargo de 2005 a 2012.>
Procurada via assessoria, Macaé afirmou que não coube a ela comandar o processo licitatório.>
"Todas as fases do certame foram conduzidas por uma comissão de licitação, que não era vinculada à Secretaria Municipal de Educação. A contratação realizada por essa comissão foi devidamente validada pela Procuradoria do Município de Belo Horizonte antes de o resultado ser apresentado", afirmou em nota.>
>
A Promotoria disse que os preços dos dois modelos previstos no certame (R$ 84,71 e R$ 89,01 por unidade comprada) estavam acima dos praticados no mercado (R$ 67,51 e R$ 77,31).>
Em um processo licitatório que teve valor total de R$ 16,1 milhões em valores da época, a diferença do suposto superfaturamento foi de R$ 3,1 milhões (19%), segundo a Promotoria. Na ação civil pública ajuizada em 2016, esse valor atualizado era de R$ 4,4 milhões. Hoje, ele é de R$ 6,5 milhões.>
Em 2016, o MP-MG (Ministério Público de Minas Gerais) pediu decisão liminar para a indisponibilidade dos bens dos réus no valor de R$ 4,4 milhões.>
A solicitação foi rejeitada pelo juiz, que não viu "indícios concretos de danos ao erário" que justificasse a medida.>
A ação civil pública teve origem após reportagem do jornal Estado de Minas ter apontado que a vencedora da licitação, a empresa Diana Paolucci S.A., estava impedida de ser contratada pela administração pública.>
A firma também é ré do processo, assim como Paulo de Souza Duarte, que, na época da concorrência, era secretário-adjunto do Tesouro municipal e cuja assinatura estava no processo licitatório.>
Rusvel Beltrame Rocha, então procurador-geral do município, chegou a ser incluído na lista dos réus por também ter assinado o documento, mas a ação contra ele foi rejeitada. Sua defesa afirmou no processo que a assinatura foi feita "a título de presença" e que toda a fase interna e externa da licitação foi realizada pela Secretaria de Educação.>
O mesmo argumento foi usado por Paulo Duarte, mas seu pedido de exclusão do processo ainda não foi julgado. A reportagem não conseguiu contato com o ex-secretário-adjunto.>
Macaé Evaristo substitui no Ministério de Direitos Humanos Silvio Almeida, demitido na sexta-feira (6) após acusações de assédio sexual. Uma das vítimas seria a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Ele vem negando as acusações.>
Além da ação sobre o período como secretária municipal, a nova ministra fechou um acordo com o MP-MG em 2022 para encerrar 13 ações de improbidade relativas à compra de carteiras escolares quando ela era secretária estadual da Educação, no governo de Fernando Pimentel (PT), de 2015 a 2018. Macaé disse que cumpriu todas as obrigações impostas no compromisso.>
No caso dos kit escolares, a defesa de Macaé pede que seja julgada improcedente a ação de improbidade. O argumento ainda não foi apreciado pelo juiz, já que o processo está em fase de digitalização do inquérito civil público após pedido do advogado da empresa Diana Paolucci S.A.>
Nos autos do processo, a defesa da atual ministra afirma que o MP-MG apresentou "uma narrativa vazia, sem elencar qual teria sido a pretensa culpa e/ou participação dos réus".>
Para a defesa, "não há que se falar em dolo", "uma vez que toda a contratação foi assistida pela Procuradoria do Município de Belo Horizonte, que não apontou irregularidades, e contou com outros licitantes, tendo sido escolhida a proposta mais vantajosa para a administração pública".>
Procurado, o advogado da Diana Paolucci, Ariosto Peixoto, afirmou que a acusação de que a empresa não estaria habilitada a participar da licitação não procede porque, nesse caso, "os concorrentes não permitiriam que ela participasse".>
Sobre o mérito, ele disse ter pedido acesso ao inquérito do MP-MG que apontou superfaturamento para apresentar a defesa.>
"Em alguns casos de ação de improbidade, não sei é o desta porque ainda não tive acesso à perícia, a produção de prova tem algum vício de comparação. Pode ter ocorrido o problema de comparação de preços desigual", disse.>
"As circunstâncias de uma licitação são rigorosas e, no mercado privado, não tem tanto rigor. Eu não posso de forma nenhuma comparar preços em circunstâncias desiguais e isso às vezes acontece", declarou, acrescentando que a empresa encerrou suas atividades em 2012.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta