Publicado em 24 de janeiro de 2024 às 20:27
BELO HORIZONTE - O MPF (Ministério Público Federal) e o delegado da Polícia Federal que investigou o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) defendem a realização de júri popular para os executivos da mineradora e da empresa de consultoria Tüv Süd indiciados pela tragédia, que matou 270 pessoas e completa cinco anos nesta quinta (25).>
O tribunal do júri ocorre somente em crimes contra a vida. A instância é formada a partir da escolha de jurados chamados aleatoriamente na sociedade com base em listas nas quais são inscritos.>
Caberia a esse grupo de pessoas, a partir das argumentações apresentadas pela defesa e pelo Ministério Público, definir se os réus são culpados ou não. Dezesseis executivos das duas empresas respondem por suspeita de homicídio. Entre os acusados está o presidente da Vale à época, Fabio Schvartsman.>
A Tüv Süd é a empresa que atestou que a barragem que ruiu tinha condições estáveis.>
>
"É muito importante que esse caso vá a júri popular", declarou o procurador do MPF em Minas, Bruno Nominato de Oliveira, responsável pela ação penal contra os executivos.>
A justificativa do procurador é que, caso isso ocorra, os indiciados responderão pelo homicídio de cada uma das 270 vítimas, o que culminaria em penas maiores. Por cada homicídio a legislação prevê de seis a 30 anos de cadeia. A ação corre no TRF-6 (Tribunal Regional Federal) da Sexta Região, em Minas Gerais.>
O delegado da Polícia Federal Cristiano Campidelli, que investigou o caso e hoje trabalha em Brasília, defendeu o júri popular para os executivos durante seminário com atingidos na última segunda (22).>
Conforme o delegado, o tribunal do júri é a instância que tem competência para o julgamento. "O caso tem que chegar a ele", disse. "O que a gente espera em cada linha que foi escrita no relatório da PF, na denúncia do Ministério Público, é que a justiça seja feita", acrescentou.>
Segundo o procurador Nominato, como a denúncia foi acatada pela Justiça como homicídio, os acusados terão que ir a júri popular. Porém, existe a possibilidade de as defesas dos executivos pedirem à Justiça para que isso não ocorra, pleiteando a modificação da tipificação do crime.>
Isso aconteceu, por exemplo, em relação ao rompimento da barragem de Mariana, em 2015. Os indiciados, que responderiam pelo homicídio de 19 pessoas, tiveram pedido acatado pela justiça para mudar a tipificação do crime de homicídio para inundação com resultado morte. Assim, não irão a júri. A ação segue na Justiça. A pena para inundação é de três a seis anos.>
"Esperamos que o TRF-6 mantenha a tipificação do crime de homicídio", disse o procurador Nominato, em entrevista nesta terça (23). O tribunal não comentou a possibilidade de haver ou não o tribunal do júri para os executivos. Ao menos até o momento não houve pedido das defesas para mudança na tipificação do crime em Brumadinho.>
A movimentação mais recente no processo envolve Fábio Schvartsman, que tenta se desvencilhar do processo.>
Um pedido da defesa para trancamento da ação em relação a seu cliente teve voto favorável do relator da ação, Flávio Boson Gambogi. A turma é formada por três magistrados. Ainda não há data para a retomada da votação.>
Questionada sobre a possibilidade de os executivos da empresa à época irem a júri popular, a Vale, em nota, disse que sempre norteou suas atividades por premissas de segurança e que nunca se evidenciou nenhum cenário que indicasse risco iminente de ruptura da estrutura B1, nome da barragem que ruiu.>
A empresa afirmou ainda que vem avançando de forma consistente e nas bases pactuadas no acordo judicial de reparação integral e em outros compromissos, todos firmados com participação das instituições de justiça. A Tüv Süd não quis comentar o assunto. A defesa do ex-presidente da Vale não retornou contato.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta