Publicado em 22 de setembro de 2025 às 15:15
SÃO PAULO - O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse nesta segunda-feira (22) que a discussão em torno da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Blindagem foi distorcida e que respeitará decisão Senado, se for para derrubá-la ou arquivá-la.>
Ele falou ainda em "pautas tóxicas" na Câmara e que quer votar o projeto de redução de penas a condenados nos ataques golpistas de 8 de Janeiro, incluindo Jair Bolsonaro (PL), ainda nesta semana.>
"Agora é chegado momento de tirarmos da frente todas essas pautas tóxicas. Talvez a Câmara tenha tido na semana passada a semana mais difícil e desafiadora, mas nós decidimos que vamos tirar essas pautas tóxicas porque ninguém aguenta mais essa discussão. O Brasil tem que olhar para frente", disse, em um evento do banco BTG, em São Paulo.>
Motta defendeu o projeto de redução das penas, de dosimetria, costurado pelo relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP), como pacificação. No domingo (21), eles estiveram juntos e Paulinho disse que o projeto deveria ir a plenário na quarta (24).>
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"Espero que a Câmara, que será soberana, nosso plenário respeitando opiniões, Câmara possa ter maturidade de enfrentar essa pauta nesta semana e poder, de certa forma, se posicionar construindo uma grande saída para o nosso país para que essa pauta possa ser, se Deus quiser num futuro bem próximo um passado, para que a gente possa de uma vez por todas superar essa agenda", afirmou ainda.>
A anistia foi alvo de protestos pelo país no domingo (21). Os manifestantes, levados às ruas pela esquerda, também gritavam contra a PEC da Blindagem, apelido ao texto chamado por Motta de PEC das Prerrogativas.>
"Ver todas essa discussão ser distorcida, PEC da Blindagem, PEC disso, daquilo, não é correto. Enquanto presidente da Câmara, respeito a decisão que o senado vai ter quanto a PEC, é dever do senado. Se acha que a PEC não é interessante, vote contra, arquive, respeitamos. Agora, a Câmara se sente no direito de defender o exercício parlamentar", disse.>
A PEC, que restringe operações policiais e inquéritos contra congressistas, teve uma repercussão muito ruim nas redes sociais, levando parlamentares a pedirem desculpas pelos seus votos a favor da proposta.>
O texto obriga o Judiciário a pedir autorização ao Legislativo antes de processar criminalmente deputados e senadores. Esse pedido seria deliberado em votação secreta – ou seja, sem desgaste político individual para congressistas que se colocarem contra eventuais investigações.>
Além disso, não há um período de transição na proposta. Os processos já em andamento poderiam ser congelados na eventualidade de a PEC ser aprovada na forma como está hoje. Os efeitos poderiam ser estendidos também a deputados estaduais.>
O presidente da Câmara, em defesa da proposta, disse durante o evento nesta manhã que a proposta não teria efeito de blindar parlamentares contra crimes comuns porque há redes sociais hoje. "Quando é que hoje, com força de redes sociais, alta velocidade da informação, quando vamos ter crime comum cometido por quem quer que seja que saia impune, ainda mais por parlamentar?", questionou.>
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