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Ministro avalia que Inep 'acertou' em prever alta abstenção para organizar o Enem

À frente da Educação, Milton Ribeiro disse que foi correto prever alta abstenção no primeiro dia de provas do Enem para organizar as salas de aplicação do teste

Publicado em 24/01/2021 às 16h46
Atualizado em 24/01/2021 às 16h46
Pastor Milton Ribeiro foi convidado para comandar o Ministério da Educação (MEC)
O pastor Milton Ribeiro está à frente do Ministério da Educação (MEC) e avaliou a aplicação do Enem 2020. Crédito: Reprodução/Youtube

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse que foi correto prever uma alta abstenção de alunos no primeiro dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2020 para organizar as salas de aplicação do teste.

"Se houve esse pensamento, de que a abstenção seria de pelo menos 30%, então estávamos certos, porque ela foi de 51%. Temos que ver o outro lado também. Não estou querendo defender ninguém, mas imagine se tivéssemos contratado tudo [número se salas suficiente], o valor de dinheiro público que haveríamos de usar", disse.

O ministro acompanhou a entrada dos candidatos que foram fazer o segundo dia de provas do Enem neste domingo (24), na escola estadual Cesar Martinez, em Moema, bairro nobre de São Paulo.

No último domingo (17), quando foram feitas as primeiras provas do Enem, houve registro de candidatos barrados por conta de salas superlotadas e a maior abstenção da história, com a ausência de mais da metade dos inscritos.

A reportagem mostrou que, apesar de ter anunciado que todas as 14 mil salas de prova do país receberiam apenas 50% da capacidade, havia locais em que a organização alocou número de candidatos até 80%.

Houve relatos em diversos Estados de candidatos que foram impedidos de fazer a prova por terem chego ao local e encontrado salas que já estavam com 50% da capacidade.

Segundo Ribeiro, pela gestão "séria e responsável" do dinheiro público, foi correto ter contado com a alta abstenção para organizar os locais de prova, ou seja, sem ampliação suficiente do número de salas para garantir que todas só tivessem 50% de candidatos.

"Gastamos mais de R$ 700 milhões do Tesouro para a aplicação do Enem neste ano. Imagine se não tivesse feito uma mínima previsão [de abstenção]. Aí as coisas ficariam mais difíceis", disse o ministro.

A Defensoria Pública da União entrou com uma ação na Justiça Federal em que argumenta que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pela prova, sabia que algumas salas tinham lotação acima do anunciado. A ação, que foi rejeitada, diz que a organização mentiu aos candidatos sobre as medidas de segurança.

Apesar da abstenção recorde e dos candidatos barrados, Ribeiro voltou a defender a realização do Enem no momento em que a pandemia se agravou em todo o país. Segundo ele, além de não poder prejudicar os alunos com um novo adiamento, havia preocupação com a saúde financeira das faculdades privadas.

"No Brasil, 76% do ensino superior é tocado pelas instituições privadas. Elas são parceiras da educação brasileira, que não tem perna nem braço para dar vaga a todos os alunos. Elas não aguentariam mais um semestre sem mensalidade", disse.

Ribeiro tem mantido boa relação com donos de faculdade privada, que exercem influência sobre o ministro. O setor foi um dos que mais o pressionou para a realização da prova, já que quer matricular o quanto antes novos estudantes pelos programas Prouni e Fies, em que recebem parte do valor da mensalidade pelo Governo Federal.

A visita deste domingo foi acompanhada pelo secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, que é ex-ministro da Educação. Ele foi um dos poucos gestores estaduais da área a defender publicamente a realização do Enem em janeiro.

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