Publicado em 14 de abril de 2021 às 12:05
- Atualizado há 5 anos
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou nesta quarta-feira (14) a antecipação de 2 milhões de doses da vacina da Pfizer, elevando o total de imunizantes fornecidos pela fabricante para 15,5 milhões até junho.>
O anúncio foi feito pelo ministro após a segunda reunião do comitê nacional de enfrentamento à pandemia de Covid-19. Queiroga falou ao lado do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e ao lado do deputado Luizinho (PP-RJ), representando o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).>
"Uma boa notícia que é justamente a antecipação de doses da vacina Pfizer, fruto de uma ação direta do presidente da República, Jair Bolsonaro, com o executivo principal da Pfizer, que resulta em 15,5 milhões de doses da Pfizer já no mês de abril, maio e junho", afirmou.>
"Ou seja, conseguimos antecipar no calendário anteriormente previsto das 100 milhões de doses, 2 milhões de doses da vacina da Pfizer que vai fortalecer o nosso calendário de vacinação.">
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Em 8 de março, após reunião entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o CEO mundial da Pfizer, Albert Bourla, o governo havia anunciado 14 milhões de doses de imunizantes da farmacêutica até junho.>
No fim daquele mês, o cronograma foi recalibrado para 13,5 milhões de doses, valor incrementado agora para os 15,5 milhões anunciados por Queiroga. De acordo com integrantes do governo e da Pfizer, as primeiras doses chegarão ao Brasil ainda em abril.>
O contrato com a Pfizer foi assinado após uma série de desentendimentos com o governo. Como a Folha mostrou em março, a gestão Jair Bolsonaro rejeitou no ano passado proposta da farmacêutica que previa 70 milhões de doses de vacinas até dezembro deste ano. Do total, 3 milhões estavam previstos até fevereiro, o equivalente a cerca de 20% das doses já distribuídas no país até aquele momento.>
Ao anunciar a antecipação, Queiroga, porém, não informou a quantidade específica por mês. A constante revisão de cronogramas e a dificuldade em obter mais doses de vacinas contra a Covid têm levado municípios de diferentes regiões a suspender temporariamente suas campanhas de vacinação.>
Ainda segundo o ministro, o governo deve fazer um pregão internacional para adquirir medicamentos que fazem parte do chamado kit de intubação, usado na assistência a pacientes graves em UTIs e alvo de baixos estoques em várias regiões. Ele não deu detalhes da medida.>
Queiroga disse ainda que o abastecimento de oxigênio "tem sido uma preocupação diária" e que há previsão de chegada, do Canadá, de 18 caminhões-tanque usados para transporte desse insumo, medida que já havia sido anunciada.>
Representando a Câmara, o deputado Dr. Luizinho afirmou que deve ser votado na próxima semana um projeto que cria a carteira de vacinação online, um aplicativo que permitirá gerenciar as doses de imunizantes enviados e aplicados no país.>
"[É] Para que a gente acabe com esse delay, essa discussão de número de doses enviadas aos estados e municípios e o número de doses efetivamente aplicadas", afirmou. Segundo ele, o descompasso de informação ronda os 15 dias.>
"Nós já enfrentamos isso em outros momentos e estamos enfrentando isso, o que dá à população uma insegurança de número de doses que está sendo efetivamente aplicada", afirmou.>
Com o aplicativo, afirmou, será possível corrigir a distorção de dados. "Parece que estados e municípios não estão aplicando doses de vacinas quando estão.">
Luizinho criticou ainda a OMS e o consórcio Covax Facility, que, segundo ele, não está priorizando o Brasil no envio de imunizantes.>
"A Organização Mundial de Saúde privilegiou países que não têm a pandemia e a circulação viral que o Brasil tem. A Organização Mundial de Saúde destinou doses em volume para a África e para o Sudeste Asiático, para os países que não estão acometidos como o Brasil.">
Em resposta, Queiroga minimizou as críticas e disse que o governo está mantendo um diálogo "muito produtivo" com a OMS para que seja cumprido o que foi acordado. O envio de doses que estavam previstas ao Brasil pelo consórcio, no entanto, tem sido alvo de atrasos devido a problemas técnicos na produção de doses da AstraZeneca em fábrica na Coreia do Sul. A previsão atual é que cerca de 8 milhões de doses sejam entregues até o fim de maio.>
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou que um dos temas tratados pelo comitê foi a aquisição e o uso imediato de vacinas contra a Covid por parte das empresas. Pacheco e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) já haviam informado na reunião anterior que essa poderia ser uma solução para agilizar a vacinação.>
Uma proposta nesse sentido foi aprovada pela Câmara. No entanto, Pacheco afirmou que há resistência por parte dos senadores e por isso a proposta ainda não foi pautada.>
Uma legislação já em vigor permite que as empresas privadas adquiram vacinas, mas precisam doar integralmente ao SUS enquanto os grupos prioritários não forem imunizados. Após esse período, poderão adquirir e usar 50% do montante, doando o restante.>
A proposta atualmente no Senado prevê antecipar essa segunda etapa, possibilitando a compra e uso imediato de 50% do montante adquirido.>
Pacheco também cobrou do governo uma antecipação do cronograma de vacinação e também ações em relação ao fornecimento de sedativos, o chamado kit intubação. O presidente do Senado afirmou que é "traumático" e "trágico" pacientes intubados acordarem sem sedativos.>
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