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MEC divulga que Brasil chegou a 66% de crianças alfabetizadas em 2025

MEC divulga que Brasil chegou a 66% de crianças alfabetizadas em 2025

Percentual representa avanço em relação ao ano anterior e supera a meta, que era alcançar 64% de alunos da rede pública

Publicado em 23 de março de 2026 às 20:28

BRASÍLIA - O governo Lula (PT) divulgou nesta segunda-feira (23) que 66% das crianças brasileiras foram alfabetizadas na idade adequada em 2025, de acordo com índice criado pela gestão.

A prova do Indicador Criança Alfabetizada foi aplicada no ano passado com alunos do 2º ano do ensino fundamental, em sua maioria com sete anos. O MEC (Ministério da Educação) divulgou apenas o percentual nacional, sem dar acesso aos dados das unidades da federação, municípios ou recortes por raça ou renda. O governo promete divulgar os números por Estado na terça (24) e os por municípios na segunda (30).

O percentual divulgado pelo governo representa um forte avanço em relação ao ano anterior, quando o índice ficou em 59,2%. Também é uma superação da meta, que era atingir 64% de alunos da rede pública alfabetizados na idade adequada em 2025.

Governo Lula apresenta dados sobre educação no país em evento em Brasília
Governo Lula apresentou dados sobre educação no país em evento em Brasília Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Lula e o ministro da Educação, Camilo Santana, participaram de um evento em Brasília que reuniu milhares de representantes das secretarias de Educação do país. A divulgação neste ano foi mais cedo que na edição do ano passado, quando os números vieram a público em julho.

A iniciativa foi convocada para a entrega do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização para prefeituras e estados que tiveram bons resultados. O selo foi lançado em 2024. Camilo disse que 2.385 municípios alcançaram o "selo ouro" nesta edição.

"Este é o maior legado que o senhor [presidente Lula] está deixando para o futuro desse país, que é garantir oportunidade para as crianças brasileiras", disse Camilo na abertura do evento. O ministro apenas mostrou o percentual no telão, sem detalhar os dados gerais para imprensa.

A solenidade é uma das últimas com participação de Camilo no MEC. O ministro petista deve se afastar do governo até o fim do mês para se dedicar às eleições. Ele tem a missão, por exemplo, de fortalecer a candidatura de reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT).

A cerimônia também tem importância política para Lula. O presidente da República tentará ser eleito para mais um mandato à frente do Planalto. O petista colocou a educação como uma das priorioridades em seu programa de governo apresentado na eleição de 2022, e quer usar dados positivos na área em sua campanha neste ano.

"Poucas vezes a educação foi levada a sério para o conjunto da população brasileira. Muitas vezes a educação era pensada para atender a uma parte pequena da elite, e a grande maioria do povo brasileiro era tratada como se a educação não fosse uma coisa prioritária", declarou o presidente da República.

A avaliação criada em 2023 reúne resultados de provas realizadas com alunos do 2º ano pelos governos estaduais e aplicadas também nos municípios. Os dados foram ajustados para serem comparados à avaliação federal tradicional, o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), que ocorre a cada dois anos.

O formato do indicador acumulou críticas de especialistas porque há estados sem dados e os resultados são consolidados a partir de avaliações aplicadas pelos estados de forma não padronizada. O MEC e o Inep, que organiza a divulgação do indicador, disseram que a partir de 2024 houve um avanço na padronização nas provas, com adoção de um modelo único.

O governo divulgou um dado nacional em 2024, por exemplo, sem que houvesse resultados do estado de Roraima. A avaliação de 2023 não trouxe infromações sobre Acre, Distrito Federal e Roraima.

O governo não informou se os dados de 2025 contemplam todas as unidades da federação.

Quando o governo divulgou os resultados de 2023, comparou com os dados do Saeb de anos anteriores: em 2021, eram 36% de alfabetizadas e, em 2019 (antes da pandemia), esse percentual foi de 55%.

A Folha de S.Paulo revelou que, em paralelo à criação dessa nova avaliação a partir de provas feitas pelos estados, o Inep havia decidido engavetar a divulgação dos resultados de alfabetização do Saeb de 2023 – o que afrontava opiniões técnicas. Após má repercussão, os dados foram conhecidos.

Os dados de alfabetização do Saeb de 2023, que são calculados a partir de uma amostra e estavam barrados pelo governo, mostraram diferenças com relação à nova avaliação.

Enquanto a avaliação dos estados mostrava que 56% das crianças alfabetizadas em 2023, os dados do Saeb indicam um percentual menor, de 49%. Isso representa uma tendência de queda com relação a 2019, antes da pandemia, quando o mesmo Saeb indicava que o país tinha 55%.

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