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Assassinada

Marielle Franco: negra e a quinta vereadora mais votada do Rio

Na Câmara, dedicou mandato à causa negra e aos direitos das mulheres

Publicado em 15 de Março de 2018 às 09:21

Redação de A Gazeta

Publicado em 

15 mar 2018 às 09:21
Vereadora Marielle Franco Crédito: Reprodução/Facebook
Caloura na Câmara dos Vereadores, Marielle Franco se elegeu em 2016 com um resultado expressivo não só pela quantidade de votos — foi a quinta mais bem votada, com o apoio de 46 mil eleitores — mas pela força simbólica de sua campanha. Representando as bandeiras do feminismo e dos direitos humanos, levou para o debate eleitoral a defesa dos moradores de favelas. Ela foi assassinada na noite desta quarta-feira, no Centro do Rio, aos 38 anos.
Nascida e criada na Maré, Marielle estudou Sociologia na PUC, com o apoio de bolsa integral, e fez mestrado em Administração Pública na UFF. Foi assessora parlamentar do deputado estadual Marcelo Freixo, seu colega no PSOL, até se eleger para o Legislativo municipal há dois anos.
Na Câmara, Marielle era presidente da Comissão de Defesa da Mulher. Sobre o tema, ela apresentou projeto para a criação do Dossiê da Mulher Carioca, para levar a prefeitura do Rio a compilar dados sobre violência de gênero no município. Também atuou para permitir na cidade o aborto nas condições estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal e para ampliar o número de Casas de Parto: locais destinados à realização de partos normais.
Na última semana, deu ênfase em sua agenda à celebração do Dia Internacional da Mulher com caminhadas pela Maré, Santa Cruz e o Centro do Rio. Em discurso no plenário da Câmara, questionou a representatividade feminina:
— Se este Parlamento é formado apenas por 10%, 13% de mulheres, nós somos a maioria nas ruas. E sendo a maioria nas ruas, somos a força exigindo a dignidade e o respeito das identidades. Infelizmente, o que está colocado aí nos vitima ainda mais — disse Marielle, no último dia 8.
Na ocasião, Marielle entregou a medalha Chiquinha Gonzaga, uma condecoração reservada às mulheres, para Dona Dida, a criadora do Dida Bar, que fica na Praça da Bandeira. O restaurante tem pratos africanos em seu cardápio. Na cerimônia, Marielle disse que era uma honra poder homenagear quem se dedicava a cultivar a memória e a cultura negra.
Durante um ano e três meses como vereadora carioca, Marielle apresentou 116 proposições na Câmara — entre elas, 16 projetos de lei. Dois projetos apresentados por ela, junto de outros parlamentares, se tornaram leis: um autoriza o serviço de mototáxi na cidade, e o outro restringe os contratos da prefeitura com as organizações sociais à área de saúde.
Marielle também rganizou audiências públicas sob a questão de gênero e com integrantes do movimento negro. Participou de debates sobre educação, economia e ativismo na internet. Ela integrava a Frente em defesa da Economia Solidária. Nos últimos meses, preparava um projeto de lei para coibir o assédio nos ônibus municipais.
Antes de ser morta, Marielle participou de uma roda de conversa com jovens negras e transmitiu o evento em suas redes sociais. A vereadora vinha questionando, na internet, a violência no Rio. Um dia antes do crime, ela publicou em suas redes sociais: “Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”

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