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Mãe de Henry estuda recorrer ao STF contra polícia do Rio

Mãe de Henry estuda recorrer ao STF contra polícia do Rio

Defesa de Monique Medeiros reclama de vazamento seletivo de informações e cobra acesso ao inquérito; Polícia Civil não se manifestou sobre a nota dos advogados

Publicado em 28 de abril de 2021 às 16:47

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Monique Medeiros, mãe do menino Henry, é presa por suspeita de envolvimento na morte da criança
Monique Medeiros, mãe do menino Henry, é presa por suspeita de envolvimento na morte da criança. (Reprodução/TV Globo)

Os advogados da mãe de Henry Borel reclamaram, nesta quarta-feira (28), da falta de acesso à integralidade da investigação sobre a morte do menino, de 4 anos, no dia 8 de março.

Em nota, a defesa da professora Monique Medeiros se queixa de vazamento seletivo de dados e admite recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para obtenção das peças do inquérito, registrando uma reclamação formal na corte.

"Apesar de a defesa de Monique ter pedido acesso à integralidade da investigação policial como seu primeiro ato, há mais de 15 dias, até o momento, não conseguiu acesso ao material dos autos. Mesmo com o deferimento formal da autoridade policial, o acesso não é franqueado", afirmam.

A nota cita a súmula vinculante 14, do STF, segundo a qual a defesa tem direito a acesso aos elementos documentados dentro de um inquérito. "Profissionais da imprensa publicam dados do inquérito que são desconhecidos da defesa, em violação flagrante a Súmula 14 do STF. Assim, apela-se para jornalistas e veículos de comunicação, que encaminhem para a defesa os materiais que a Delegacia 'vaza' sem que a defesa tenha podido acessar."

Em uma crítica velada aos responsáveis pela investigação, os advogados insistem para que Monique seja ouvida e perguntam a quem interessa o que chamam de vazamento seletivo de dados.

"É com muita estranheza que a defesa tome conhecimento das peças do inquérito apenas por meio da imprensa. A quem interessa um vazamento seletivo de informações da investigação? A quem interessa não dar acesso à defesa? A quem interessa não ouvir Monique?"

Em uma carta de 29 páginas, escrita na prisão, Monique muda sua versão, afirmando ter sido drogada pelo namorado, o vereador Jairo Souza Santos Júnior, Dr. Jairinho, na madrugada da morte do filho. A professora diz ter sido ameaçada por Dr. Jairinho.

Na carta, a mãe de Henry diz que naquele 8 de março colocou o menino para dormir após ele acordar três vezes. Quando o casal cansou de assistir a uma série, por volta da 1h30, o vereador disse para irem para o quarto dormir.

O ex-namorado então "ligou a televisão num canal qualquer, baixinho, ligou o ar condicionado, me deu dois medicamentos que estava acostumado a me dar, pois dizia que eu dormia melhor, mas eu não o vi tomando. Logo, eu adormeci".

A defesa de Monique está pedindo há mais de uma semana que ela seja ouvida novamente no inquérito, que ainda não foi concluído porque aguarda a perícia nos celulares de Dr Jairinho. No entanto, o delegado Antenor Lopes, Diretor do DGPC (Departamento-Geral de Polícia da Capital) indicou já haver elementos suficientes para encerrar as investigações.

Desde a primeira entrevista coletiva no dia da prisão do casal, a polícia tem dito que até agora não há indícios de que Monique estivesse sendo ameaçada pelo ex-namorado e que eles pareciam estar unidos. Monique escreveu a carta de dentro do Hospital Penitenciário em Bangu, onde está internada com Covid-19.

A Polícia Civil do Rio não se manifestou sobre a nota dos advogados de Monique.

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