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Encontro na França

Lula participa de foto de família do G7 ampliado e não interage com Trump

Líderes seguem para reunião entre membros do G7 e países convidados sobre solidariedade internacional, em que presidente deve dar um discurso

Publicado em 16 de Junho de 2026 às 14:09

Estadão Conteúdo

Publicado em 

16 jun 2026 às 14:09

ÉVIAN-LES-BAINS - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta terça-feira (16) da foto de família do chamado G7 ampliado, que inclui os líderes dos países convidados para a cúpula. Em seguida, eles partiram para uma reunião a portas fechadas sobre solidariedade internacional, onde o brasileiro fará um discurso

O presidente Lula foi o primeiro a ser cumprimentado pelo anfitrião Emmanuel Macron na cerimônia de boas-vindas dos líderes convidados para a cúpula. Além dele, foram convidados o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, o presidente do Egito, Abdel Fattah El-Sisi e o presidente do Quênia, William Ruto.

O presidente pousou na ponta esquerda de Macron, o lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen e do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Ele e Donald Trump não conversaram durante os minutos entre a recepção dos líderes e a foto ou após.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante fotografia oficial do G7
Lula (último à direita) acena durante a fotografia oficial do encontro do G7 ampliado. Ricardo Stuckert/PR

Os líderes então seguiram para a reunião ampliada do G7 que tem como tema "Firmar novas parcerias e reconstruir a solidariedade internacional". As discussões são fechadas para jornalistas.

Lula sentou praticamente de frente com Donald Trump na mesa de reunião. Também participam da reunião representantes do Banco Mundial e do Banco Africano de Desenvolvimento.

Especulava-se se a vinda do presidente, decidida de última hora, guardava por trás a intenção de aproveitar a cúpula para uma nova reunião com Trump depois que os Estados Unidos recomendaram impor novas tarifas ao Brasil. O governo brasileiro, contudo, nega que esta tenha sido a intenção.

Em 2 de junho, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas desleais na relação bilateral, e mais 12,5% por não proibir e coibir efetivamente a importação de produtos feitos com regime de trabalho forçado. Logo após o anúncio, Lula confirmou sua vinda a Évian-les-Bains dizendo "agora eu vou".

Cogitou-se então se haveria uma movimentação do Itamaraty para promover um novo "encontro de corredor" entre os presidentes, semelhante ao que aconteceu na Assembleia-Geral da ONU ano passado. Fontes do governo brasileiro, no entanto, disseram que uma conversa de corredor seria insuficiente para tratar de um tema tão complexo quanto o tarifaço.

A foto de família e a reunião ampliada é a primeira oportunidade para que os dois interagissem. O outro momento será no jantar com os líderes e convidados às 20h30 locais (15h30 de Brasília)

Lula se reúne com europeus

Mais tarde, o presidente se reunirá com Ursula Von der Leyen e António Costa. O banimento da carne bovina brasileira dos países do bloco será o assunto que mais atrai atenção. Mas membros do governo ressaltam que haverá outros temas na agenda.

Em 12 de maio, onze dias após a entrada em vigor do acordo de livre comércio da UE-Mercosul, o bloco europeu anunciou a decisão de excluir completamente os produtos brasileiros de origem animal de seu mercado. A medida entrará em vigor em 3 de setembro e foi aprovada após votação dos 27 países de forma unânime.

Na segunda, durante uma coletiva de imprensa, António Costa, desviou dos questionamentos sobre a carne. "Isso é um assunto que tem que colocar à Comissão, é um assunto que a Comissão está a tratar", respondeu.

"Como sabe, nós com o Brasil fizemos colado no Mercosul um grande acordo este ano, que está agora a ser retribuído, que entrou já em pleno vigor. Obviamente, as normas sanitárias têm que ser cumpridas, mas a Comissão Europeia está em diálogo com o Brasil", completou.

"Nós ficamos um pouco surpresos pela maneira como foi", admitiu o Secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, na semana passada.

Von der Leyen tem pouco poder de mudar a situação rapidamente, mas serve de canal para levar as manifestações brasileiras aos países do bloco.

Nesta segunda, o presidente se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin, em Genebra, e o anfitrião do G7, Emmanuel Macron. Em Genebra, os presidentes trataram do comércio bilateral e comprometeram-se a trabalhar pela diversificação da pauta de exportações entre os dois países, informou o Planalto.

Um dos temas discutidos foi o acordo Mercosul-EFTA, que envolve, além da Suíça, Islândia, Noruega e Liechtenstein. Para o Planalto, o acordo representa uma oportunidade para ampliar o comércio, em um cenário global marcado pelo aumento do protecionismo e do unilateralismo.

A cúpula de líderes ocorre no mesmo hotel e a circulação de jornalistas é limitada. A cidade de Évian-les-Bains, nos Alpes Franceses, está praticamente sitiada pelo esquema de segurança.

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