Publicado em 18 de fevereiro de 2021 às 16:00
- Atualizado há 5 anos
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o ministro Edson Fachin (STF) se acovardou três anos atrás diante do tuíte do general Eduardo Villas Bôas no qual pressionava o Supremo a derrotar o petista em um julgamento na corte às vésperas da campanha eleitoral. >
Em entrevista a UOL, ex-presidente disse que não é direito constitucional do Alto Comando do Exército dar um "pito" no Supremo. "Por que o Fachin veio falar agora três anos depois? Por que se acovardou na hora?">
Na última segunda-feira (15), Fachin afirmou ser "intolerável e inaceitável qualquer tipo de pressão injurídica sobre o Poder Judiciário".>
A declaração foi uma resposta à revelação de que a cúpula do Exército, então comandado pelo general Villas Bôas, articulou um tuíte de alerta ao Supremo antes do julgamento de um habeas corpus que poderia beneficiar Lula em 2018.>
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Lula acabou tendo o pedido negado pelo plenário do Supremo e, no dia 7 de abril, foi preso e levado para Curitiba. Deixou a cadeia 580 dias depois, após o STF derrubar a regra que permitia prisão a partir da condenação em segunda instância.>
Naquele abril de 2018, após o tuíte de Villas Bôas, Fachin não se manifestou publicamente. No dia seguinte, o plenário do STF negou habeas corpus a Lula.>
Ao votar pelo indeferimento do pedido do ex-presidente, o ministro também não fez comentário sobre o texto do general. Em seu voto, Fachin ressaltou que deveria haver estabilidade e respeito ao entendimento dos tribunais sobre a execução provisória da pena.>
De acordo com Fachin, não havia até aquele momento revisão da jurisprudência, do próprio Supremo, que previa a execução provisória da pena após condenação em segunda instância, entendimento aplicado no caso de Lula.>
Nesta quinta-feira, na entrevista ao UOL, Lula também afirmou que a responsabilidade de decidir sobre a prisão do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) é da Câmara, e não do Supremo.>
O ministro Alexandre de Moraes (STF) mandou prender o deputado em flagrante, na noite desta terça-feira. A decisão de Moraes foi de ofício e acabou ratificada no dia seguinte por unanimidade no plenário do Supremo.>
Silveira publicou na internet um vídeo com ataques a ministros do Supremo. Ele é alvo de dois inquéritos na corte -um apura atos antidemocráticos e o outro, fake news. Moraes é relator de ambos os casos, e a ordem de prisão contra o deputado bolsonarista foi expedida na investigação sobre notícias falsas.>
"Acho que não é o papel da Suprema Corte mandar prender pessoas, sobretudo um deputado, porque tem foro especializado", disse Lula. "Esse cidadão tem de ser punido pelo Congresso Nacional. A Câmara que o julgue, tire o passaporte dele, a imunidade dele, e ele vai aprender a lição.">
Na mesma entrevista ao UOL, o ex-presidente afirmou que não há tempo suficiente para o Congresso discutir um eventual processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Lula disse que a discussão, se iniciada agora, poderia entrar em 2022 e ser contaminada por um ano eleitoral.>
Além disso, segundo o ex-presidente, o atual presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), não deverá aprovar a abertura de um processo contra Bolsonaro. Lira foi apoiado por Bolsonaro na sua eleição, em fevereiro.>
"Eu não acredito que haja tempo agora para fazer um debate sobre impeachment e nem o Lira vai colocar em votação. Se a gente não conseguiu colocar impeachment em votação com Rodrigo Maia, certamente não vai conseguir colocar com o Lira.">
Para o ex-presidente, Bolsonaro deveria ser retirado da Presidência devido às atitudes tomadas durante o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus e, sobretudo, por ter sido no início contra a vacinação da população.>
"Não quero impeachment de Bolsonaro porque não gosto dele, [ou] porque sou adversário de Bolsonaro. É porque Bolsonaro já tomou várias medidas que mereciam impeachment e, sobretudo, essa medida genocida da vacina [contra o coronavírus]", afirmou.>
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