Publicado em 24 de abril de 2021 às 12:28
O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), liberou o acesso para a defesa do senador Renan Calheiros (MDB-AL) a mensagens de integrantes da Operação Lava Jato que vazaram há dois anos. >
O material foi apreendido na Operação Spoofing em 2019 com hackers denunciados pela invasão de celulares de autoridades como o ex-ministro Sergio Moro e procuradores do Ministério Público Federal. Segundo a decisão de Lewandowski, Renan terá acesso apenas às mensagens com referências a ele. A decisão é do último dia 9 de abril.>
Renan é citado em acordos de delação premiada promovidos pela Lava Jato com investigados. Ele é apontado pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.>
Renan, que foi padrinho político de Machado, nega e diz que se trata de perseguição da Lava Jato contra ele. Segundo a reportagem apurou, no entendimento de Lewandowski, a troca de mensagens entre os promotores e Moro apontam indícios que corroboram o argumento de Renan.>
>
O senador emedebista é o segundo alvo da Lava Jato a ter acesso às conversas, depois do ex-presidente Lula. O petista obteve as conversas no final de dezembro do ano passado, e a decisão foi confirmada pela Segunda Turma do Supremo em fevereiro. Outros dois investigados, porém, tiveram o pedido negado: Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, e Eduardo Cunha, o ex-presidente da Câmara dos Deputados –ambos presos.>
O ministro Lewandowski autorizou, no entanto, o envio do conteúdo das conversas ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e ao TCU (Tribunal de Contas da União).>
O STJ investiga mensagens dos procuradores da Lava Jato que citam ministros do tribunal, mas o inquérito foi suspenso no dia 30 de março pela ministra Rosa Weber, do STF. Já o TCU apura possível conflito em um contrato firmado entre o ex-juiz Sergio Moro e a empresa Alvarez & Marsal, que é administradora da recuperação judicial do grupo Odebrecht.>
Foi justamente Renan quem apresentou no Senado, em fevereiro, um projeto de lei que anistia os seis hackers alvos da Operação Spoofing. Segundo justificou o parlamentar, os acusados "extraíram um conjunto estarrecedor de conspirações que violaram a ordem jurídica e o Estado democrático de Direito com propósitos políticos".>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta