Publicado em 3 de julho de 2024 às 11:07
SÃO PAULO - O cassino online conhecido como "Jogo do Tigrinho" não escolhe idade, classe social ou endereço de suas vítimas. A afirmação é de um dos delegados responsáveis por investigações relativas ao jogo no Estado de São Paulo.>
A apuração comandada pelo Deic (Departamento de Investigações Criminais) da Polícia Civil já encontrou idosos, jovens, pobres e ricos entre os lesados pela organização criminosa por trás do caça-níquel.>
O jogo funciona assim: o jogador faz uma aposta e aciona a roleta em busca de uma sequência de figuras repetidas para obter valores em dinheiro. A polícia afirma que trata-se de jogo de azar, uma vez que o ganho depende exclusivamente de uma suposta sorte do apostador.>
Cerca de 500 boletins de ocorrência já foram registrados no Estado com menção ao jogo desde o ano passado, mas a polícia diz acreditar que o número de vítimas seja maior.>
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Entre os alvos da Polícia Civil estão influenciadores digitais com milhares de seguidores, que usam da fama para atrair potenciais vítimas.>
"Essas plataformas procuram por esses influenciadores; esses influenciadores firmam uma parceria com as plataformas do jogo e vão divulgando esse jogo nos perfis deles", disse o delegado Eduardo Miraldi.>
"Ele [influenciador] geralmente faz um post dizendo que está ganhando valores exorbitantes. É mentira. E redireciona a pessoa para o site do jogo de azar, onde é preciso fazer um cadastro. Ele paga para realizar esse cadastro, geralmente R$ 10, R$ 20 só para fazer o cadastro, e a partir daí passa a poder jogar", explica.>
Alguns influenciadores contratados pelas plataformas já foram ouvidos pela polícia e alguns chegaram a ter o celular apreendido e enviado para perícia, afirma o delegado. O objetivo é extrair informações que possam auxiliar a investigação a localizar os golpistas. Outros influenciadores tiveram seus perfis suspensos nas redes sociais, por determinação judicial.>
"Eles divulgam o jogo, e o jogo é uma contravenção penal. Então existe uma associação criminosa, e o influenciador faz parte dessa associação", afirma Miraldi.>
De acordo com o delegado, as apostas são pagas por meio de cartão de crédito ou via Pix.>
Em um dos casos a vítima teve um prejuízo de cerca de R$ 200 mil, conta o delegado. "Tem pessoas que acabam se afundando em dívidas por causa do jogo. Tem quem perdeu mil reais, dois mil, tem vítima que perdeu 30 mil e tem vítima que perdeu 200 mil", conta.>
"Elas geralmente perdem o dinheiro [apostado] e daí, com o intuito de tentar recuperar esse valor, investem novamente e perdem novamente. E assim vai.">
O delegado afirma que os golpistas são pessoas envolvidas com jogos de azar e que ainda não é possível dizer se facções criminosas estariam envolvidas.>
"Geralmente essas plataformas, esses jogos, não estão hospedados no Brasil, estão fora do Brasil. Por isso a nossa dificuldade em conseguir que esse site saia do ar. Mesmo tendo uma decisão judicial nesse sentido, é difícil fazer com que seja cumprida", conclui Miraldi.>
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