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Rio de Janeiro

Investigações do caso Marielle terão segunda etapa, avisa delegado

Nesta fase, serão investigados os possíveis mandantes do crime e o paradeiro do carro utilizado no dia do assassinato

Publicado em 12 de Março de 2019 às 18:46

Publicado em 

12 mar 2019 às 18:46
O delegado da Polícia de Homicídios da Capital, Giniton Lages fala à imprensa sobre o caso Marielle Franco e Anderson Gomes no Palácio Guanabara, zona sul do Rio de Janeiro Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

O delegado Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, afirmou nesta terça-feira (12) que haverá uma segunda etapa de investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes. Nesta fase, serão investigados possíveis mandantes do crime e o paradeiro do carro utilizado no dia do assassinato.

De acordo com Lages, nesta segunda etapa será investigada ainda a motivação do atirador, uma vez que os policiais identificaram que Ronnie Lessa, policial militar reformado detido, nutria ódio contra pessoas de esquerda e havia pesquisado informações de Marielle e o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), entre outros.

"O perfil dele [Ronnie Lessa] revela uma obsessão por determinadas personalidades que militam à esquerda política”, disse Lages. “Você percebe ódio e desejo de morte. Você percebe o comportamento de alguém capaz de resolver uma diferença do modo como foi o caso Marielle."

Segundo o delegado, as apurações não se encerram nas prisões do sargento reformado Ronnie Lessa e do ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, realizadas nas primeiras horas desta terça-feira (12).

"O caso ainda está em aberto. Estamos entregando a primeira fase, e a segunda ainda está em andamento", disse o delegado, que lembrou que hoje foram cumpridos também 34 mandados de busca e apreensão referentes ao caso.

INDICIAMENTOS

O delegado informou que Lessa e Vieira foram indiciados com os agravantes de impossibilitar a defesa da vítima, emboscada e motivo torpe. "O crime de ódio, segundo doutrina, encaixa no motivo torpe".

O delegado defendeu o sigilo das investigações como imprescindível e disse que o modo como o crime foi executado levou a concentração por parte dos policiais nos preparativos para o assassinato e na fuga.

"Como fizeram um crime praticamente perfeito, temos que inverter a ordem das coisas: não é dos vestígios para os autores, mas dos autores para os vestígios", disse o delegado.

MOBILIZAÇÃO

O caso Marielle e Anderson mobilizou 47 policiais civis dedicados exclusivamente. Mais de 5,7 mil páginas de investigação foram produzidas, em um inquérito que tem 29 volumes e ouviu 230 testemunhas. O número de linhas telefônicas interceptadas chega a 314.

A viúva de Marielle Franco, Mônica Benício, refaz Grafite em homenagem a Marielle feito por Malala Yousafzai na comunidade Tavares Bastos, no Catete Crédito: Agência Brasil

"Não quero que o caso Marielle e Anderson se repita. Esse é o maior motivo da nossa dedicação nesse tempo todo. É fazer com que a resposta chegue para mandar recado. O crime Marielle e Anderson não pode se repetir. Esse caso não pode ficar sem resposta, é muito perigoso ficar sem resposta".

De acordo com o delegado, indícios mostram os suspeitos foram “muito treinados”. Segundo ele, o cuidado em permanecer no automóvel, um Cobalt, desde o deslocamento na orla da Barra da Tijuca às 17h20 até o momento do crime entre 21h09 e 21h12.

O percurso foi captado por uma série de câmeras da cidade, e o delegado disse que foi afastada a hipótese de que o desligamento de câmeras nos arredores do local do crime tivesse relação com os assassinos.

Nesse período em que os assassinos estavam esperando, uma assessora de Marielle chegou a pôr a mão na maçaneta no carro deles, confundindo o veículo com o Uber que ela estava esperando.

CLONAGEM

Para identificar o carro usado no crime, os policiais chegaram a procurar proprietários de Chevrolet Cobalt Prata de modelo LS no Rio de Janeiro. Ao todo, 443 carros desse tipo foram identificados na cidade e 126 foram mapeados como possibilidades. "Trabalhamos neles um a um", disse o delegado, que descobriu que o carro usado foi clonado a partir de um veículo de propriedade de uma cuidadora de idosos na zona sul.

O caso fez com que 190 pessoas procurassem o Disque Denúncia até agosto do ano passado para dar informações que poderiam estar relacionadas. O delegado disse que, apesar de nenhuma delas ter apontado os responsáveis pelo crime, esses dados ajudaram a apontar diretrizes para a investigação.

O delegado afirmou que não foi identificada relação alguma de Ronnie Lessa com a família do presidente Jair Bolsonaro. "O fato de ele morar no condomínio de Bolsonaro não diz muita coisa para a investigação da Marielle", disse. "Ele não tem uma relação direta com a família Bolsonaro. Nós não detectamos isso."

Lages destacou a satisfação em apresentar parte dos resultados da investigação e disse que os policiais tiveram que lidar com muita "contrainteligência que existe com objetivo de desviar o foco e desequilibrar a equipe".

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