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Minas Gerais

Inhotim reabre em Brumadinho com missão de reerguer cidade

O museu de arte contemporânea a céu aberto fica a cerca de 18 km da área atingida pela lama da Vale

Publicado em 09 de Fevereiro de 2019 às 11:43

Publicado em 

09 fev 2019 às 11:43
Instituto Inhotim, em Brumadinho Crédito: Reprodução

Depois de duas semanas fechado, o Instituto Inhotim reabrirá neste sábado (9), segundo sua direção, com a missão de mostrar que Brumadinho (MG) não está completamente embaixo da lama e continua viva.

"A imagem que se tem é de que a cidade inteira está submersa. Mostrar que isso não é verdade não é nenhum prodígio, mas é uma primeira tarefa que a gente pretende cumprir ao dizer às pessoas que o Inhotim está funcionando", diz Antônio Grassi, 64, diretor-executivo do órgão e ator.

O museu de arte contemporânea a céu aberto, um dos maiores do mundo, fica a cerca de 18 km da área atingida pelos rejeitos da barragem da Vale e foi evacuado às pressas no dia do rompimento.

O caminho entre o museu e o aeroporto de Confins e Belo Horizonte não foi atingido. 

Grande parte dos 600 funcionários do Inhotim (como comparação, a Vale tem cerca de 300 na mesma região) moram em Brumadinho e 41 têm familiares desaparecidos ou mortos na tragédia. 

Um ex-funcionário também está entre os 157 mortos e 182 não encontrados até sexta (8).

Para Grassi, o instituto terá que se conectar mais com o local em que está inserido. 

"O nosso papel também vai exigir um novo Inhotim, que deve estar mais plugado com o lugar e sua necessidade de reconstrução."

Aberto em 2006, o museu pertence ao empresário Bernardo Paz, que fez fortuna explorando a mineração de ferro. Ele era dono da Itaminas, vendida em 2010 a um grupo chinês por US$ 1,2 bilhão em valores da época. Muitas das obras expostas no Inhotim -são 700- tratam da relação predatória das mineradoras.

A chegada do instituto dinamizou a economia local. Segundo o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), a quantidade de leitos em hotéis passou de 300, em 2008, para 1.300, em 2016.

Entre 2011 e 2014, o número de restaurantes e bares cresceu de 56 para 99 e o de mercados, de 4 para 28, segundo a Prefeitura de Brumadinho. 

Agora a expectativa é que o público caia e demore alguns meses para se recuperar.

Nas duas últimas semanas, Antônio Grassi estima que o local tenha deixado de receber cerca de 20 mil visitantes. "A gente provavelmente vai demorar para mostrar que ali dentro não tem problema, não tem lama e tem como chegar", diz -o Corpo de Bombeiros de MG confirmou que o museu não está na rota de risco de outras barragens.

"A decisão de reabrir não foi simples. Ao mesmo tempo em que temos a plena certeza de que Inhotim tem a possibilidade de trazer um respiro para Brumadinho, temos a conexão com o luto daquele lugar."

Neste primeiro dia, a entrada será gratuita, como acontece às quartas (exceto feriados). O horário nos finais de semana vai das 9h30 às 17h30, e durante a semana, até as 16h30, com entrada de R$ 44. Neste sábado, será feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas da tragédia.

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