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Política

Governo revoga portaria que transferiu R$ 83,9 mi do Bolsa Família para propaganda

O Tribunal de Contas da União abriu investigação para apurar o remanejamento, que poderia caracterizar drible nas regras fiscais

Publicado em 09 de Junho de 2020 às 18:05

Redação de A Gazeta

Publicado em 

09 jun 2020 às 18:05
Tribunal de Contas da União (TCU) em Brasília
Tribunal de Contas da União (TCU) em Brasília Crédito: Alan Marques/Folhapress
O governo federal publicou nesta terça-feira (09), uma edição extra do Diário Oficial da União para revogar portaria do Ministério da Economia que tirou R$ 83,9 milhões do orçamento do Bolsa Família e transferiu o valor para a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência (Secom), que usaria a verba para ampliar gastos com publicidade.
A anulação do repasse, que foi assinado semana passada pelo secretário de Fazenda da Economia, Waldery Rodrigues. Ocorre depois de sucessivas críticas de vários setores da sociedade e também depois de o Tribunal de Contas da União (TCU) abrir investigação para apurar o remanejamento. A manobra acendeu o alerta do órgão de controle para uma tentativa de burlar regras fiscais e usar exceções legais para os gastos da pandemia a favor de um aumento em despesas que não são emergenciais e nada têm a ver com o combate à doença.
A apuração do TCU atende a um pedido do Ministério Público junto ao TCU. Na representação, o procurador Rodrigo Medeiros de Lima requer uma medida cautelar para suspender o repasse de recursos do Bolsa Família para a Secom "a fim de evitar o direcionamento, direto ou transverso, de créditos orçamentários extraordinários (extrateto) para a expansão de despesas primárias".
O remanejamento atingiu os recursos previstos para a Região Nordeste do País e causou críticas no Congresso por ocorrer durante a pandemia do coronavírus, quando muitas famílias estão sem fonte de renda. Apesar do remanejamento, o Ministério da Cidadania disse na ocasião que o pagamento do benefício está garantido por recursos do auxílio emergencial. Há, no entanto, uma fila de espera de 433 mil pedidos para acesso ao Bolsa Família.
A portaria desta terça, que revoga a anterior, também é assinada pelo secretário Waldery Rodrigues.
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