Publicado em 29 de janeiro de 2022 às 15:16
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou à PGR (Procuradoria-Geral da República) um pedido do PT para que o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, seja investigado devido à instabilidade no sistema de dados da pasta.>
O ministério foi alvo de ataque hacker no início de dezembro de 2021 e, desde então, tem enfrentado dificuldade para atualizar números relativos à pandemia da Covid-19.>
Agora, caberá ao procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmar se a solicitação da sigla faz sentido e Queiroga deve ser investigado perante o Supremo ou se não cabe apuração sobre o caso.>
A decisão do magistrado ocorre pouco mais de dez dias depois de ele usar as redes sociais para criticar a falta de atualização nos dados do Ministério da Saúde.>
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"O restabelecimento dos sistemas de atualização dos boletins epidemiológicos deve ser tratado como prioridade. Há semanas os Estados e Municípios enfrentam dificuldades em informar os casos de contaminação e de internação. O #ApagaoNaSaude inviabiliza o enfrentamento da pandemia", afirmou no Twitter em 10 de janeiro.>
Na queixa-crime apresentada ao Supremo, o PT faz duras críticas a Bolsonaro e diz que o governo federal é "negacionista" e foi obrigado a adotar medidas para conter a Covid-19 graças à atuação do STF, de governadores e do Congresso Nacional.>
O partido cita a invasão hacker, mas alega que não há explicação para o sistema enfrentar instabilidade até hoje, mais de 40 dias depois.>
"O que se justificava, nos primeiros dias, em função da afirmada invasão de criminosos aos sistemas informatizados (Hacker) do órgão, parece não encontrar mais guarida técnica, principalmente quando se verifica o agravamento da realidade sanitária em curso", diz a petição.>
A legenda também lista os problemas decorrentes da falta de atualização do sistema.>
"Segundo os especialistas, entre outros prejuízos, os pesquisadores ficam impedidos de estimar a dinâmica de transmissão do vírus e projetar tendências. Por outro lado, gestores municipais e estaduais não conseguem dimensionar necessidades de abertura de leitos em hospitais, compra de medicamentos, contratação de profissionais, entre outros".>
Assim, o PT afirma que é preciso investigar a "persistência desse apagão do Ministério da Saúde" e afirma que a "falta de transparência nas informações da pasta, deliberadas ou não", violam a Constituição e caracterizam, em tese, crimes tipificados no Código Penal.>
A legenda diz ainda que a possibilidade de omissão deliberada para correção do sistema pode ser enquadrada nos delitos de prevaricação e infração de medida sanitária preventiva, além de improbidade administrativa.>
O ataque hacker ao ministério ocorreu em 10 de dezembro. Na data, o site da pasta saiu do ar, assim como a plataforma Conecte SUS, que fornece o certificado nacional de vacinação.>
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