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Pós-covid

Fim das restrições da pandemia contribui para aumento dos casos de conjuntivite

Até setembro, foram atendidas 37.631 pessoas com a doença nas unidades municipais

Publicado em 21 de Outubro de 2022 às 17:07

Agência FolhaPress

Publicado em 

21 out 2022 às 17:07

Stefhanie Piovezan

SÃO PAULO - Unidades de saúde de São Paulo tiveram aumento nos casos de conjuntivite nas últimas semanas — os hospitais Cema, Leforte e de Olhos registraram crescimento da doença.
Também houve alta de casos em unidades públicas. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), até setembro, foram atendidas 37.631 pessoas com conjuntivite em São Paulo. No mesmo período do ano passado, foram registrados 25.407 casos e, em 2020, foram 27.011. Em 2019 e 2018, foram contabilizados 65.718 e 72.569 atendimentos, respectivamente.
Os sintomas da conjuntivite viral podem ser minimizados com colírio lubrificante
Os sintomas da conjuntivite viral podem ser minimizados com colírio lubrificante Crédito: Divulgação
Se considerados os surtos — quando há dois ou mais casos da doença ligados entre si no período de 21 dias — foram 54 ocorrências até 10 de outubro, com 173 casos registrados em unidades públicas e privadas. Em 2021 e 2020, foram notificados 17 surtos, com 52 e 41 casos e, em 2019, 148 surtos com 366 casos.
No Hospital de Olhos, a alta nos casos foi de 23% no último trimestre, na comparação com o período de abril a junho.
Para os especialistas, o aumento está relacionado ao fim das restrições impostas pela pandemia de Covid-19.
Chefe do pronto-socorro do Hospital de Olhos, Pedro Antônio Nogueira Filho explica que o relaxamento do uso de máscaras e da higienização das mãos facilita a contaminação, porque as pessoas tocam mais o rosto com as mãos contaminadas por vírus que causam a conjuntivite.
Marco Cezar Helena, chefe do serviço de oftalmologia do Hospital Leforte, unidade Morumbi, aponta ainda ambientes mais aglomerados e a retomada do contato físico como facilitadores da transmissão.
As mudanças bruscas na temperatura e na umidade, que deixam o corpo mais suscetível e facilitam a circulação de microrganismos, também estão por trás da alta. "Passamos, nos últimos 90 dias, por períodos críticos, com a umidade relativa do ar muito baixa e aumento da fuligem, o que favorece a dispersão dos vírus", diz Nogueira Filho.
Entre os vírus que se espalham mais facilmente nesses momentos, ele destaca o grupo dos adenovírus, que pode causar infecções respiratórias, infecções gastrointestinais e, simultaneamente, conjuntivites adenovirais.
Nessas situações, uma forma de diferenciar a irritação nos olhos comum em infecções respiratórias de uma conjuntivite é verificar o grau e a permanência dos sintomas. "A conjuntivite tem uma correlação com edema, aumento do lacrimejamento, sensação de corpo estranho e a infecção leva até duas semanas", comenta Nogueira Filho.

ENTENDA A DOENÇA

Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana que recobre a parte branca visível do globo ocular.
A doença pode ser causada por vírus, bactérias ou alergia e os principais sintomas são: irritação e sensação de areia nos olhos, visão borrada, lacrimejamento, olhos vermelhos, dor ao olhar para a luz, secreção com pus (bacteriana) ou aquosa (viral) e pálpebras inchadas.
Os sintomas duram de uma a duas semanas e os cuidados variam de acordo com a causa, sendo necessário consultar um médico para a definição do tratamento. De acordo com a SMS, todas as unidades básicas de saúde, prontos-socorros, prontos atendimentos e AMAs (assistências médicas ambulatoriais) realizam atendimento de pacientes com sintomas de conjuntivite e é possível encontrar a unidade de saúde mais próxima na plataforma Busca Saúde.
Nos primeiros sintomas, as medidas sanitárias fundamentais são lavar as mãos com frequência, evitar coçar os olhos e não compartilhar itens como toalhas, fronhas e maquiagem.

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