Publicado em 15 de setembro de 2025 às 15:57
CURITIBA - A professora e advogada Melina Girardi Fachin, que é filha do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, foi hostilizada na sexta-feira (12) quando saía do prédio da UFPR (Universidade Federal do Paraná) na praça Santos Andrade, centro de Curitiba.>
Segundo o advogado Marcos Rocha Gonçalves, marido de Melina, ela andava na praça após sair da faculdade de Direito no final da manhã quando um homem branco, sem se identificar, se aproximou e "desferiu uma cusparada na professora, chamando-a de lixo comunista". O relato foi feito por ele em uma rede social.>
"Essa violência é fruto da irresponsabilidade e da vilania de todos aqueles que se alinharam com o discurso do ódio propalado desde o esgoto do radicalismo de extrema direita, que pretende eliminar tudo que lhe é distinto", escreveu ele, ao dizer que não se trata de um caso isolado de violência física, política e contra uma mulher.>
Um dia antes da agressão a Melina, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, sob acusação de liderar uma trama para permanecer no poder. Ele também foi considerado culpado por outros quatro crimes.>
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A sentença foi dada pela Primeira Turma da corte, que não é integrada por Fachin. Nomeado ao STF em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff (PT), Fachin fez carreira no Paraná e, na UFPR, foi professor de Direito Civil. Ele assumirá a presidência do Supremo no final deste mês.>
Melina é diretora do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR e professora do Departamento de Direito Público da instituição. Outra filha do ministro do STF, a médica especializada em cirurgia pediátrica e professora Camila Fachin, é a atual vice-reitora da universidade.>
Em nota, a UFPR afirma que "analisa a situação ocorrida com a professora". Também disse que o caso será debatido em reunião do Conselho de Planejamento e Administração da universidade nesta terça-feira (16).>
Uma nota de desagravo foi feita por professores de direito da UFPR, em solidariedade a Melina. "Divergências políticas e ideológicas são legítimas, mas nunca podem justificar agressões ou intimidações", diz trecho.>
Melina ainda não se manifestou publicamente. No relato do marido, ele fala em "agressão covarde" cometida por um "porco imundo" e atrela o caso a um episódio de 9 de setembro envolvendo a faculdade de direito.>
Na noite daquele dia, uma manifestação de estudantes contra uma palestra no Salão Nobre da Faculdade de Direito terminou com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha disparadas pela Polícia Militar do Paraná.>
O evento teria a participação do vereador Guilherme Kilter (Novo) e de Jeffrey Chiquini, advogado de Filipe Martins, assessor para assuntos internacionais da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro (PL) e réu no STF no caso da trama golpista. Em publicação nas redes sociais, ambos afirmaram ter sido agredidos e insultados ao chegar à universidade.>
De acordo com os organizadores, o objetivo era debater "os abusos do Supremo", mas o evento acabou cancelado pela universidade, que alertou para a possibilidade de confusão.>
A UFPR afirma que os palestrantes não aceitaram o cancelamento e tentaram forçar sua entrada no local "empurrando o vice-diretor do setor, o que desencadeou uma série de reações que culminaram em uma resposta desproporcional das forças de segurança pública em relação à comunidade que se manifestava".>
Na rede social, Gonçalves afirmou que o ato de violência contra Melina "carrega as assinaturas de todos aqueles que na última terça-feira (9) protagonizaram mais um episódio de provocação, de tumulto e desrespeito às instituições, como é a prática desses indignos sujeitos".>
Gonçalves escreve ainda que "não haverá clemência aos bolsonaristas, aos intolerantes e principalmente aos covardes". "Vocês nunca mediram as consequências de suas palavras e de seus atos. Nós também não mais mediremos", continuou.>
As comissões de Defesa dos Direitos Humanos e das Mulheres Advogadas da OAB do Paraná repudiaram a agressão e, em nota, disseram que Melina tem "histórico irretocável de defesa da democracia, dos direitos humanos e da igualdade de gênero".>
"A presença feminina em um cargo de poder e o envolvimento com a proteção de pautas caras a grupos socialmente vulneráveis são aspectos determinantes para a ocorrência de violências desta natureza, o que multiplica a necessidade de atenção das instituições", diz trecho.>
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