Publicado em 12 de maio de 2023 às 21:32
BRASÍLIA - A Polícia Federal cumpriu mandado de busca nesta sexta-feira (12) na casa de Marcelo da Silva Vieira, ex-funcionário do setor do Palácio do Planalto responsável pelos acervos presidenciais.>
Deflagrada no Rio de Janeiro, a ação policial ocorre no âmbito do inquérito que apura o caso das joias presenteadas por autoridades sauditas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e teve como objetivo apreender o celular do servidor.>
Os artigos, avaliados inicialmente em cerca de R$ 16,5 milhões, foram trazidos para o Brasil na bagagem de um ex-assessor do então ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) em outubro de 2021, por ocasião de viagem a serviço ao país do Oriente Médio.>
As joias foram retidas por auditores da Receita Federal no aeroporto de Guarulhos (SP) e, posteriormente, houve toda uma mobilização da Presidência e outros setores do governo passado para tentar liberá-las, envolvendo o próprio ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL).>
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"Estou surpreso com a invasão dos direitos de Vieira depois que ele prestou um depoimento de seis horas e foi colaborativo", disse Eduardo Knutz, defensor de Vieira.>
Segundo o advogado, o servidor já havia mostrado o celular aos investigadores durante seu depoimento e entregado cópia dos prints das conversas que manteve com o ex-chefe da Ajudância de Ordens de Bolsonaro, o coronel Mauro Cid, preso no último dia 3 de maio.>
No depoimento à PF, segundo investigadores, Vieira prometeu entregar o celular, o que não ocorreu.>
A PF então pediu a apreensão do aparelho, a Justiça Federal em Guarulhos negou, mas o Tribunal Regional Federal da 3ª Região autorizou.>
Segundo Vieira, em 27 de dezembro, Mauro Cid fez contato para que ele assinasse a minuta do ofício que seria encaminhado à Receita na tentativa de liberar as joias apreendidas no aeroporto de Guarulhos.>
"Como exposto, o declarante não tinha essa função de solicitar qualquer bem, pois o GADH (Gabinete Adjunto de Documentação Histórica ) tem uma função apenas de tratamento de presentes; que nessa mensagem, não está descrito quais seriam esses bens", disse à PF.>
Ainda segundo Vieira, no mesmo dia, ele encaminhou uma mensagem a Mauro Cid perguntado se a situação havia sido solucionada "tendo recebido como resposta que o assunto estava resolvido".>
Em ofício encaminhado ao delegado Adauto Machado após o pedido para apreender o celular, a defesa de Vieira classificou a atitude da PF de "pegadinha jurídica" e que pode ser considerada possível abuso de autoridade.>
"Vossa Excelência não mais satisfeito com o quanto disponibilizado, desrespeita a Defesa constituída e faz comunicação direta com o Peticionário para, nos termos do ofício, que faça "apresentação de seu aparelho celular para extração de dados (mensagens efetuadas e recebidas e outros) referentes aos fatos investigados", disse a defesa no documento.>
Bolsonaro chegou a ser ouvido pela PF, no início de abril, sobre o caso das joias.>
Segundo a defesa, o ex-presidente afirmou ter tido conhecimento sobre as joias apreendidas na Receita 14 meses depois do ocorrido.>
Bolsonaro disse que, após tomar conhecimento do caso, em dezembro de 2022, buscou informações sobre o tema para evitar um suposto vexame diplomático caso os presentes fossem a leilão.>
Além dos objetos de luxo interceptados pela Receita, outros dois estojos presenteados pelos sauditas chegaram a entrar no Brasil e passaram a compor o acervo privado de Bolsonaro.>
Eles foram entregues para custódia da Caixa Econômica Federal por determinação do TCU (Tribunal de Contas da União).>
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