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Empresa de respiradores para UTI tem salto em pedidos após coronavírus

O surto de coronavírus, que em casos graves coloca pacientes nas UTIs de hospitais, fez crescer a demanda por aparelhos de respiração assistida
Redação de A Gazeta

Publicado em 

20 mar 2020 às 19:40

Publicado em 20 de Março de 2020 às 19:40

Coronavírus (covid-19) Crédito: Freepik
O surto de coronavírus, que em casos graves coloca pacientes nas UTIs de hospitais, fez crescer a demanda por aparelhos de respiração assistida. E evidenciou ainda o tamanho reduzido da indústria nacional desse tipo de equipamento -ao menos para enfrentar uma pandemia.
A fábrica brasileira KTK teve um salto no número de encomendas. Os pedidos começaram a crescer na semana passada, mas foi só a partir desta segunda-feira (16) que a procura se intensificou. Esta quinta (19) foi o dia mais movimentado, segundo relatos de funcionários da empresa.
A companhia não quis conceder entrevistas e tampouco abriu os números do aumento de pedidos e da produção desde que o coronavírus se espalhou pelo mundo. Mas chegou a relatar à reportagem que houve uma demanda da Itália, que tentava importar respiradores para atender os doentes do país.
A KTK estava aguardando a chegada de componentes importados para pode atender a todos os pedidos.
Já foram registrados 41.035 doentes e 3.405 mortos na Itália. O Brasil tem 621 pessoas diagnosticadas e 7 mortos pela doença.
A KTK foi fundada em 1951 pelo médico Kentaro Takaoka, segundo o site da empresa. Segundo o depoimento, Takaoka era um jovem médico anestesista "cansado de tantos obstáculos que dificultavam a prática de sua profissão". Isso teria motivado o médico a desenvolver um aparelho para ventilação artificial controlada. O primeiro aparelho foi lançado em 1955.
A outra empresa do setor localizada pela reportagem foi a Magnamed. Os executivos também preferiram não conceder entrevista.
A falta de respiradores, e não de leitos de UTI, é considerada o grande gargalo para o atendimento de pacientes graves afetados pelo novo coronavírus.
"Estamos discutindo se dá para fazer algum acordo com a China. Hoje, para comprar aparelho, vamos ter que competir com a toda Europa", afirmou o infectologista David Uip.
A produção industrial da China caiu mais de 12% em janeiro e fevereiro, na comparação com igual período de 2019, em uma forte ação para conter a expansão da epidemia.
Não há dados sobre a retomada da produção no país asiático. Uip comanda o comitê paulista de enfrentamento ao coronavírus e disse à Folha de S.Paulo nesta quinta que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pediu para que ele acionasse as empresas nacionais.
Na terça (17), o Ministério da Economia zerou a alíquota de importação para 50 produtos médicos e hospitalares que estão sendo usados no combate ao coronavírus, entre eles os respiradores.
A lista também contém produtos como luvas médicos-hospitalares, álcool em gel, máscaras, termômetros clínicos, roupas de proteção contra agentes infectantes e óculos de segurança.
Em 2019, os produtos que fazem parte da lista tiveram importação de cerca de US$ 1,3 bilhões, os aparelhos respiradores que tiveram a tarifa zerada correspondem a US$ 43 milhões desse montante. As alíquotas dos aparelhos chegavam a 15%.
A medida que zerou as tarifas segue até o dia 30 de setembro de 2020.

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