Centenas de foliões aguardam na Praça da República, na região central de São Paulo, o início do bloco feminista Pagu. O cortejo estava marcado para sair às 14h.
Criado há três anos, o bloco é composto apenas por mulheres e toca canções da MPB interpretadas por vozes femininas.
A música Karla Sanches, 24, saiu do Paraná para curtir o Carnaval em São Paulo. Quis vir ao bloco para prestigiar as mulheres que tocam na bateria. "É uma área com poucas mulheres, especialmente na percussão, apesar de já ter melhorado", diz.
Chegou com três amigas, entre elas a arquiteta Malu Magalhães, 35. O caráter feminista do bloco chamou a sua atenção. "É muito relevante trazer questões políticas para o bloco. Especialmente depois dessas últimas eleições. Temos que mostrar que as mulheres têm voz", afirma.
Apesar de o bloco ser mais voltado para mulheres, ela, que também é do Paraná, diz que isso não traz mais segurança. "Achei o Centro meio pesado. Imaginei que fossem vir mais mulheres com o corpo de fora para o bloco, mas recebi alguns olhares estranhos", diz.
Diante de tantos casos de assédio sexual na folia, um bloco como o Pagu é fundamental, diz a produtora Andrea Ramirez, que nunca tinha assistido ao cortejo. "O feminismo é muito importante. Precisamos falar sobre isso o tempo todo, e do que falta para alcançarmos a equidade de gênero", diz.