Publicado em 18 de abril de 2021 às 15:07
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (DEM), afirmou que "é inimaginável olhar para" o vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, preso sob suspeita de matar o enteado Henry Borel, de 4 anos, "e ver um monstro". >
Jairinho foi líder de governo de Paes na Câmara Municipal pelos quatro anos de seu segundo mandato à frente da cidade, entre 2013 e 2016.>
"Ele foi meu líder de governo porque era um político habilidoso, com muita liderança na Câmara. Estou chocado, triste. É inimaginável olhar para ele e ver um monstro", afirmou o prefeito em entrevista à Folha de S.Paulo.>
Jairinho e a mãe de Henry, Monique Medeiros, estão presos temporariamente desde o último dia 8 de abril. Eles são investigados pelo crime de homicídio do menino, morto no dia 8 de março na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca.>
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A suspeita é de que o casal atrapalhou as investigações após assassinar a criança, que já teria sido submetida a torturas antes no apartamento em que morava com a mãe e o padrasto desde janeiro.>
Além de líder de Paes, o vereador assumiu o mesmo cargo na Câmara Municipal na gestão Marcelo Crivella (Republicanos), eleito em oposição ao atual prefeito. Paes venceu Crivella na eleição do ano passado com apoio de Jairinho.>
"Tenho visto posts [dizendo]: 'Ele apoiou [o presidente Jair] Bolsonaro, foi líder do [ex-prefeito Marcelo] Crivella'. Temos que ter um mínimo de responsabilidade, e a imprensa tem que ajudar nisso. É um gesto individual em parceria com aquela mãe -sei lá que nome dou para essa mãe, outra monstra-, que não deve se creditar em ninguém que tenha convivido ou trabalhado para ele. Isso não é um vírus, como o coronavírus, que é transmitido pelo ar. Monstruosidades não são transmissíveis pelo ar", disse o prefeito.>
Jairinho foi citado cinco vezes como líder de milícia em um estudo feito com moradores de áreas dominadas por esses grupos criminosos na zona oeste do Rio de Janeiro.>
O político também foi citado em 37 ligações ao Disque-Denúncia antes do caso, desde 2004, segundo levantamento feito pela Folha.>
A maioria delas tem relação direta com as eleições municipais e se refere aos bairros de Bangu, Padre Miguel e Realengo, na zona oeste da cidade, reduto eleitoral de sua família.>
A suposta ligação com milicianos, bicheiros ou traficantes é a causa mais frequente, considerando que cada denúncia pode ter mais de um motivo. Em 15 ocasiões, pessoas mencionaram o nome do vereador nessas circunstâncias, muitas vezes relacionado ao do pai, o ex-deputado estadual Coronel Jairo, ambos eleitos pelo Solidariedade.>
"Nunca se confirmou e nunca percebi nenhuma relação dele com a milícia. Com todo respeito, tudo é irrelevante perto da monstruosidade que ele cometeu. Estou triste, chocado e pasmo", afirmou Paes.>
Coronel Jairo, pai do vereador, foi citado ainda no relatório da CPI das Milícias realizada na Assembleia do Rio, em 2008, mas não foi indiciado porque não havia provas. A Polícia Civil também investigou se o então deputado havia tido envolvimento com a tortura de uma equipe de reportagem do jornal "O Dia" na favela do Batan, na zona oeste.>
A corporação chegou a apurar a informação de que, pouco antes do sequestro, os jornalistas haviam sido abordados por um homem que se apresentou como assessor de Jairo, identificado como "Betão".>
Em texto publicado na revista "piauí" em 2011, o fotógrafo Nilton Claudino, torturado por sete horas, afirma que um vereador, filho de um deputado estadual, esteve presente na sessão de tortura.>
"A repórter reconheceu a voz de um vereador, filho de um deputado estadual. E ele a reconheceu. Recomeçou a porradaria. Esse político me batia muito. Perguntava o que eu tinha ido fazer na zona oeste. Questionava se eu não amava meus filhos", escreveu.>
Não houve elementos suficientes na investigação para incriminar Jairo. Ele sempre negou qualquer relação com grupos milicianos.>
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