Publicado em 5 de julho de 2023 às 11:06
Eduardo Mori Kawano e Andrea Carvalho Alves Moreira, donos de uma escola em São Paulo investigada por maus-tratos, foram indiciados nove vezes por tortura.>
À reportagem do UOL, o delegado Fábio Daré, responsável pela investigação do caso, informou que levou em conta para o indiciamento as evidências colhidas e o depoimento das famílias e de testemunhas. O colégio infantil particular fica no bairro do Cambuci, na zona sul da cidade.>
A defesa dos donos da escola nega as acusações e diz que o casal é inocente. Procurada pela reportagem, a advogada Sandra Pinheiro de Freitas informou que teve acesso ao inquérito e que o indiciamento já era "esperado".>
Os dois donos da escola foram presos temporariamente na última terça-feira (4).>
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Sobre o caso, o delegado Daré disse que "as crianças torturadas não tinham lesões porque foram submetidas a uma violência psicológica". "Ele [dono da escola] foi descrito como mais violento. Ela [dona da escola] costumava gritar e xingar os alunos. É triste, revoltante e bizarro", afirmou o titular do 6º Distrito Policial (Cambuci).>
O caso só veio à tona no mês passado, quando uma professora entregou imagens com os maus-tratos e prestou depoimento. Em uma das gravações, a dona da escola chamou de "louco", diante de outros alunos, um menino de 5 anos com dificuldade para fazer necessidades fisiológicas.>
Em outro vídeo, uma menina de apenas 1 ano e 8 meses aparece recolhendo brinquedos e chorando. Em seguida, a dona da escola diz "guarda dentro da caixa" e ergue a criança com violência pelas mãos. "Pode guardar tudo isso aí! Agora! Pode recolher!", diz um homem. A voz é atribuída ao dono da escola.>
Inicialmente, o caso começou a ser investigado pela Polícia Civil como maus-tratos. Mas os registros em foto e vídeo das crianças e os depoimentos fizeram com que a investigação passasse a tratar os episódios ocorridos na escola como tortura, com pena de até oito anos de prisão.>
A Polícia Civil ouviu três professoras e 16 pais de alunos. Entre eles, os responsáveis por cinco crianças entre 1 e 6 anos vítimas de maus-tratos neste ano.>
Segundo depoimentos à polícia, as crianças costumavam ficar sem o lanche oferecido no café da manhã porque precisavam "comer rapidamente".>
O Fantástico revelou no último domingo (2) trechos do depoimento dos pais à Polícia Civil de São Paulo. Segundo o delegado que investiga o caso, todos os depoimentos colhidos até o momento foram "convergentes". "Isso me levou a crer que houve um crime de tortura naquela escola", afirmou.>
"Havia uma sala escura usada como cantinho do castigo para crianças que choravam muito ou não comiam.">
"Aluno com dificuldade de leitura foi humilhado na frente dos colegas.">
"Um pai contou que o filho foi colocado de castigo nu, em uma bacia na chuva porque havia vomitado na roupa.">
Estes são alguns trechos de depoimentos de familiares. >
Além da investigação atual, os donos da escola também são investigados após denúncia de lesão corporal em 2021. Uma mãe alega que o filho tinha fortes dores de cabeça e contou que o dono da escola teria batido nele. "Quando fui mexer na cabeça dele, ele falou que não era pra mexer que doía muito. E estava um pouco altinho. Ele falou: 'Tio bateu'", disse a mãe ao Fantástico.>
Eduardo também negou a agressão e afirmou que a acusação é "absurda".>
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