Publicado em 3 de dezembro de 2021 às 16:19
O relaxamento das medidas preventivas, a chegada da variante ômicron e as hospitalizações por síndrome respiratória voltando a subir depois de um período de estabilidade colocaram os hospitais privados paulistas em alerta. >
Embora as internações por Covid-19 no sistema privado permaneçam em queda, muitas instituições estão com os leitos com mais de 90% de ocupação com outras demandas de saúde que ficaram represadas durante a pandemia.>
O Hospital Israelita Albert Einstein, por exemplo, tem batido nas últimas semanas recordes históricos de cirurgias eletivas, com mais de 800 por semana, e a ocupação de leitos acima de 90%. No Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o número de cirurgias está 15% acima das taxas registradas antes da pandemia.>
Comitês multiprofissionais estão avaliando diariamente os dados da pandemia e também houve reforço na triagem dos pacientes com sintomas gripais.>
>
Francisco Balestrin, presidente do Sindhos (sindicato paulista dos hospitais, clínicas e laboratórios privados), diz que foi divulgada uma orientação às instituições filiadas para que tenham uma preocupação epidemiológica maior do que vinham tendo.>
"Não temos ainda clara a situação dessa nova variante no Brasil. Então precisamos trabalhar esses casos, além do ponto de vista de assistência, também sanitário, epidemiológico. Temos que ajudar a saúde pública também", diz ele.>
Isso significa acrescentar novas perguntas aos pacientes que chegam ao pronto-atendimento (PA). "Estamos checando se têm passagem por países da Europa, África e pelos Estados Unidos e reforçando a necessidade das medidas de proteção, como máscara, uso do álcool em gel", afirma Antonio da Silva Bastos, diretor-executivo médico do Oswaldo Cruz.>
Ao mesmo tempo, os gestores dizem que esse período de pandemia trouxe aprendizados, como a consolidação do conceito dos chamados "hospitais sem paredes", que permite uma gestão mais eficiente de leitos caso haja aumento das internações por Covid.>
Dentro dessa metáfora estão consultas virtuais, que evitam que as pessoas se desloquem até os prontos-socorros, e adaptações na estrutura física de acordo com a demanda, que permitem a criação rápida de novos leitos.>
"A gente aprendeu muito com a pandemia. Dá para capacitar [profissionais de saúde] em tempo recorde e dá para oferecer o mesmo resultado quando você tem a enfermaria intercambiável entre apartamentos, leitos de semi-intensiva ou UTI ", conta Sidney Klajner, presidente do Albert Einstein.>
Segundo ele, outros processos de gestão que já vinham sendo adotados antes da pandemia se fortaleceram com a crise sanitária, como a criação de um time de fluxo do paciente que permite um giro de leitos mais eficiente.>
Esse time desenvolveu algoritmo capaz de predizer com uma acurácia de 90% a necessidade de leito de internação, assim que o paciente chega ao pronto-atendimento.>
"Por conta desse time de fluxo, a gente transformou unidades de infusão de medicamentos na oncologia em leitos, polissonografia em leitos, salas de aula em lugar de infusão de medicamentos. E não faltou vaga para quem chegasse ao PA", relata.>
Na segunda onda da pandemia, conta Klajner, o hospital chegou a fazer no mesmo dia dez intubações de pacientes em apartamentos para só depois levá-los à UTI. A instituição chegou a ter 310 pacientes internados com Covid. Hoje tem 12.>
Outra novidade do Einstein durante a pandemia foi criar, em parceria com a empresa Enebras, um sistema portátil que permitiu transformar apartamentos normais em áreas de pressão negativa, evitando a propagação do vírus dentro do ambiente hospitalar.>
Essa pressão negativa é obtida por meio de um sistema de exaustão. A pressão do ar dentro de um quarto é controlada para que fique abaixo daquela dos demais ambientes do hospital. O ar contaminado passa por um filtro de alto desempenho e por lâmpadas germicidas e é expelido para o ambiente externo sem os contaminantes.>
"A pandemia nos ensinou a ser versáteis, em ter agilidade para converter unidades em outras conforme a necessidade", diz Felipe Duarte, gerente de pacientes internados e práticas médicas do Hospital Sírio-Libanês.>
Segundo ele, as unidades Covid-19 estão sendo fechadas com a possibilidade de voltar à mesma função se houver aumento de casos. "O plano já está desenhado e estruturado.">
O hospital mantém ainda a estrutura de comitê de crise, com reuniões semanais e não mais diárias como ocorriam meses atrás. Duas alas de UTI, com 23 leitos novos, foram construídas durante a pandemia.>
O Sírio chegou a ter 260 pacientes internados com Covid, com perto de 100% de ocupação. Hoje está oscilando entre 12 e 16.>
Em razão do avanço da vacinação no país e, em São Paulo em particular, a expectativa dos gestores é que, mesmo em um cenário de aumento de casos devido à ômicron, a demanda por leitos hospitalares seja menor do que nas ondas anteriores.>
"O que a gente tem reforçado é que não dá para não tomar vacina. Somos defensores ferrenhos da vacinação. E a gente não sente uma segurança de baixar a guarda em relação o uso da máscara", diz Duarte.>
Sidney Klajner, do Einstein também é enfático ao afirmar que o maior risco é a flexibilização das medidas de proteção. Na sua opinião, essa é a principal razão do aumento dos casos e internações em países da Europa e da Ásia mesmo como taxas de vacinação acima de 70%.>
"Quando você diz que não precisa mais usar máscaras, acaba sendo um estímulo não só para não se proteger mas também um estímulo às aglomerações. E isso vai aumentar o número de casos", afirma.>
As instituições dizem orientar pacientes e visitantes sobre a importância da vacinação, mas não têm respaldo legal para condicioná-la ao atendimento ou circulação dentro da instituição.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta