SÃO PAULO, SP, BELO HORIZONTE, MG, E GOIÂNIA, GO - Três dos quatro principais candidatos derrotados no primeiro turno da eleição presidencial atacaram a polarização entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) e evitaram declarar apoio a qualquer um deles. Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) não anunciaram qualquer decisão após o resultado. Romeu Zema (Novo) evitou citar o nome de Flávio, mas se declarou voto contra o PT.
Terceiro colocado, Augusto Cury disse, após o resultado, que a "democracia brasileira, assim como a de muitas outras nações, dá sinais de asfixia". "Temo que, nas próximas décadas, haja um avanço das ditaduras e do populismo", afirmou.
Cury voltou a defender um processo de pacificação do país. "A polarização tornou o ambiente político brasileiro excessivamente hostil, e o projeto de país, muitas vezes, ficou em segundo plano. Precisamos virar essa página. Eu plantei sementes de pacificação e de coragem", disse.
Antes da divulgação dos resultados, mirou nos dois adversários que seguirão para a próxima etapa da disputa. "Lula fala que é o pai dos pobres, mas ele governa para os ricos, porque os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres", afirmou.
O candidato chegou a ter uma alta nas pesquisas em setembro, mas acabou perdendo fôlego e terminou muito atrás dos líderes. Ele votou pela manhã em Colina, no interior paulista, acompanhado de parentes, e permaneceu na casa, em Ribeirão Preto, após a votação.
Disputa "bizarra"
Quarto colocado no primeiro turno da eleição, Renan Santos criticou no domingo (4) os adversários que seguirão para o segundo turno e classificou a disputa deste ano como "a mais bizarra" desde a redemocratização do país.
Líder do partido criado a partir do MBL, que teve sua ascensão durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ele subiu o tom contra Flávio Bolsonaro , a quem descreveu como "um cara completamente desqualificado, covarde, burro".
Renan estendeu suas críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente está preso em regime domiciliar por tentativa de golpe. "A única função é ele ser filho de outro cara que não era muito inteligente. Isso já diz muito sobre o momento atual: nenhum eleitor sabe explicar por que vota no Flávio", afirmou.
Em live no YouTube na noite no domingo, Renan Santos também fez previsões sobre os próximos passos do ex-presidente Bolsonaro e do STF (Supremo Tribunal Federal). "O Jair Bolsonaro provavelmente vai ser solto em um acordo do STF", afirmou.
Para Renan, o tribunal terá de enfrentar pressões. "O STF vai ter que rebolar lentinho para os crias", disse. Em seguida, ao comentar o que espera do cenário político após a eleição, afirmou: "O que haverá por parte deles é devastador".
Segundo ele, a campanha de Flávio é baseada apenas no discurso contra o presidente Lula. "Não vi uma argumentação de voto no Flávio que não fosse: 'nós temos que tirar o Lula'", afirmou.
"Totalmente atípica"
Ronaldo Caiado, afirmou, em Goiânia, que a definição de um eventual apoio no segundo turno dependeria de uma conversa direta com a cúpula nacional de seu partido. "Jamais vou me pronunciar sem antes estar reunido com o presidente do meu partido, [Gilberto] Kassab", disse.
O PSD, posteriormente, decidiu ficar neutro no segundo turno da eleição presidencial.
Caiado classificou a eleição presidencial como "totalmente atípica" e atribuiu o resultado em parte à ausência de debates de ideias entre os concorrentes. Ele citou "ingerências indevidas" e pautas secundárias que desviaram a atenção do eleitorado dos reais dilemas do país.
Disse que "não venceu, mas caiu de pé".
Apesar da derrota, Caiado teve uma vitória local em Goiás: sua mulher, Gracinha Caiado, foi eleita senadora pelo União Brasil.
O candidato do Novo, Romeu Zema, posicionou-se contra o partido de Lula. "Onde estiver PT no segundo turno, eu estarei contra o PT", disse em pronunciamento na noite do domingo. Zema não citou o nome de Flávio Bolsonaro.